Nelson Tanure, exclusivo: "Nunca me afastei do Sindicato"

Nelson Tanure, exclusivo: "Nunca me afastei do Sindicato"

Atualizado em 23/04/2006 às 23:04, por Pedro Venceslau e  do Rio de Janeiro/RJ.

Nelson Tanure, exclusivo : "Nunca me afastei do Sindicato"

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Nos anos 90, o empresário Nelson Tanure era considerado o barão da indústria naval do Brasil. Como detentor de 80% de toda capacidade instalada dos estaleiros do país, ele estava entre os 12 maiores empresários do setor no mundo. Em 1997, porém, o rei dos navios enfrentou uma grave crise financeira e decidiu reformular seus negócios. Foi nessa ocasião que Tanure entrou com tudo no mercado editorial e passou a controlar o Jornal do Brasi l e a Gazeta Mercantil , dois grandes títulos da imprensa brasileira que estavam à beira da falência.

Para tirar o JB do buraco - um conjunto de dívidas trabalhistas e débitos que beiravam os R$ 70 milhões - Tanure investiu R$ 100 milhões para dar uma nova cara e resgatar a dignidade do mais tradicional diário carioca, que estava no fundo do poço.

Depois de um período de euforia e fartura, quando o JB foi comandado por Mário Sergio Conti e gastou mais do que podia, uma nova crise começou a surgir no horizonte. Em agosto de 2004, o jornal promoveu a maior demissão em massa de sua história e entrou em rota de colisão com o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, que acusava Tanure de não respeitar as leis trabalhistas.

Após um período turbulento, marcado por manifestações públicas, queda vertiginosa nas vendas e publicidade, processos trabalhistas, acusações de jabá e conflitos internos, o Jornal do Brasil mudou de endereço, de gráfica, de formato e de comando na redação. Comprou novos equipamentos, contratou medalhões, reforçou a equipe de repórteres com 25 novos jornalistas, além disso, diminuiu o preço nas bancas para R$ 0,75. Nesta entrevista exclusiva para IMPRENSA, que será publicada na íntegra na próxima edição, Tanure fala sobre a nova fase do jornal e desabafa: "Eu nunca me afastei do sindicato".

Portal IMPRENSA - Por que o Jornal do Brasil optou pela mudança de formato - do standard para berliner?
Nelson Tanure
- Optamos pela modernidade. Os formatos berliner e standard atendem ao mundo moderno da comunicação. No caso do berliner a praticidade do tamanho e a velocidade da leitura atendem o consumidor das bancas. O público A e B, cada vez mais, tem na memória visual a imagem e os textos precisos, resultado do uso cada vez maior do celular e da internet. Os veículos jornal precisam desta modificação. Prova disso é o sucesso destes formatos na Europa.

Portal IMPRENSA - Na sua opinião, o assinante é mais conservador que o leitor de banca? Por que os jornais em formato berliner do JB não foram também para assinantes?
Tanure
- É uma visão conservadora imaginar que quem assina no formato standard não tem a agilidade de quem está no berliner. Nós oferecemos a comodidade da escolha. Quem quiser, escolhe e nós entregamos. A não ida direta para o berliner foi mais por respeito ao hábito do leitor do que por uma avaliação moral.

Portal IMPRENSA - É verdade que foi cogitada a idéia de mudar a redação do jornal para Brasília?
Tanure
- Nunca tratamos deste assunto. Ocorreu, tempos atrás, o debate que gerou a criação de uma edição regional em Brasília, ainda em fase de ajustes. Nada além disso. O Jornal do Brasil é do Rio e por ele é carinhosamente apoiado.

Portal IMPRENSA - O Sindicato dos Jornalistas do Rio afirma que o sr não respeita leis trabalhistas, que a ampla maioria dos jornalistas do JB não tem carteira assinada e que estagiários trabalham como repórteres. O que o sr tem a dizer sobre essa demanda dos sindicalistas?
Tanure
- Os fatos demonstram que a Editora Jornal do Brasil assumiu passivo trabalhista das marcas Jornal do Brasil e Gazeta Mercantil em universo aproximado de 4.000 ações. Hoje, o numero de ações existentes é inferior a 600.

Portal IMPRENSA - O sr. pretende sentar com o Sindicato para negociar o dissídio deste ano? Pretende se reaproximar deles?
Tanure
- Na realidade, eu nunca me afastei deles. A relação patronal, para ser legitima, tem que se basear em princípios maiores de respeito e confiança, sem tornar-se plataforma para anseios político partidários.