Maurício Azêdo, presidente da ABI:

Maurício Azêdo, presidente da ABI:

Atualizado em 24/07/2006 às 20:07, por .

Maurício Azêdo, presidente da ABI:

Por Raquel Paulino/Redação Portal Imprensa Como de praxe, a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) entrou em rota de colisão com a Fenaj e se posicionou favorável ao veto total ao projeto de lei 79/2004, apelidado de "Lei Amarildo", que aumenta de 11 para 23 as atribuições dos jornalistas. Nesta entrevista para o Portal IMPRENSA, Maurício Azêdo, presidente da Associação, explica os motivos que levaram a essa decisão e dispara: "Os autores do projeto estão divorciados da realidade das redações".

IMPRENSA - Por que razão a ABI não aceita o projeto de lei 79/2004?
Maurício Azêdo
- Não aceitamos por ele intervir em atribuições de quem está no dia-a-dia da profissão. Os autores do projeto estão divorciados da realidade das redações de TV, rádio, jornal, revistas. Não têm noção do que acontece lá.

IMPRENSA - Onde eles estão, então?
Maurício Azêdo
- Estão em um território etéreo, em busca de bandeiras no campo jornalístico, mas mal sabem do que estão falando, o que estão fazendo.

IMPRENSA - A ABI foi chamada para conversar sobre o que se propunha no projeto?
Maurício Azêdo
- Não. Ninguém aqui foi comunicado que o projeto estava em pauta, não acompanhamos a trajetória dele. Quase ninguém acompanhou. A própria Fenaj, "patrona" do projeto, não entrou em contato com nenhuma organização de representação de jornalistas. Em momento algum fomos consultados. Se tivéssemos sido, teríamos todas as restrições que estão no expediente. A lei foi feita por quem está de fora, apresentada por um deputado que nada tem a ver com o jornalismo. É tudo um grande absurdo.

IMPRENSA - Como foi receber a notícia de que o projeto já estava na Casa Civil, aguardando uma posição do presidente, pela repercussão na mídia?
Maurício Azêdo
- Recebemos com perplexidade, muita perplexidade. É de causar muito estranhamento saber que uma questão tão importante relacionada ao jornalismo, que é de suma importância para os rumos do país, tenha passado assim tão invisível.

IMPRENSA - A Fenaj encara o ataque dos opositores ao projeto como uma luta desigual e desleal, de empregados contra patrões, sendo ela a realmente preocupada com os interesses de que não é dono de empresa jornalística. O que o senhor acha disso?
Maurício Azêdo
- Dizer que os ataques sofridos pela Fenaj e pelo projeto de lei configuram uma luta de classes é uma redução primária, uma avaliação medíocre. A Fenaj não é nenhum baluarte da proteção dos assalariados, inclusive não se manifesta sobre o achatamento dos proventos da aposentadoria da classe jornalística, que é um problema. Fica se colocando como defensora da classe, mas não luta pelas batalhas certas.