Marrocos: Situação da imprensa é preocupante
Marrocos: Situação da imprensa é preocupante
Atualizado em 19/01/2006 às 11:01, por
por Gabriel Mitani* / Redação Portal IMPRENSA.
Marrocos: Situação da imprensa é preocupante
O Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ) está alarmado por uma recente série de crimes contra a imprensa marroquina, que inclui perseguição de editores de jornais e imposição de taxas altíssimas para publicações independentes. Três jornalistas enfrentam possível prisão como resultado direto de notícias ou opiniões publicadas em seus veículos.Abdelaziz Koukas, editor do semanal independente al-Ousbouia al-Jadida, pagará de três a cinco anos na prisão e uma multa equivalente a 11 mil dólares por difamar a monarquia, de acordo com as leis do país. O semanal também pode ser fechado como resultado do julgamento, marcado para março.
Tudo isso por causa de uma entrevista feita com Nadia Yassin, filha de um Sheikh que é cabeça de uma organização islâmica fora da lei. Yassin criticou o sistema monárquico e afirmou que Marrocos deveria se tornar uma república. É um crime criticar a monarquia ou defender um sistema de governo diferente em Marrocos.
Isso é só o começo. Há inúmeros casos em que os jornalistas são acusados de difamar a monarquia ou agir contra a lei. Em cada um, dizem os editores, penalidades monetárias são o fim máximo do que é permitido e poderia ameaçar a viabilidade financeira do funcionamento dos jornais.
"Esses acontecimentos representam uma grave ameaça para a mais essencial função da imprensa: acompanhar as ações do governo de perto e pressioná-lo quando necessário", afirma a diretora executiva da CPJ, Ann Cooper. "Essas altas multas e a ameaça de prisão têm efeito de censurar jornalistas independentes".
* Gabriel Mitani é estagiário do Portal IMPRENSA






