Lula no "Fantástico": muita fala e pouca novidade na entrevista do presidente
Lula no "Fantástico": muita fala e pouca novidade na entrevista do presidente
Atualizado em 02/01/2006 às 12:01, por
Denise Moraes | Redação Portal Imprensa.
Lula no "Fantástico": muita fala e pouca novidade na entrevista do presidente
2006 começou bem-intencionado. Após três anos de governo, uma coletiva com perguntas pré-elaboradas, e duas exclusivas estranhas, o presidente Lula finalmente cedeu sua primeira entrevista exclusiva "de verdade". O escolhido foi o programa "Fantástico", da Rede Globo, e o entrevistador foi o repórter Pedro Bial. No entanto, o resultado não foi lá essas coisas...Não por culpa de Bial, convenhamos, que apertou de todos os lados, ainda que mantendo o respeito necessário a um Presidente da República, mas pelo teor das respostas dadas por Lula: evasivas, enroladas, lisas como uma enguia.
Sobre o mensalão, o presidente não disse que houve nem que não houve: "Temos que esperar relatório final das CPIs. Temos que esperar o conjunto da obra que está sendo feita pelas CPIs, para que depois possa haver a complementação da Polícia Federal e do Ministério Público, para ter uma visão final".
O repórter então perguntou: "Eu posso concluir da sua resposta que o senhor não leu os relatórios parciais das CPIs?". Lula confirmou, e explicou: "Os relatórios às vezes dizem coisas e depois das apurações as coisas não foram como estavam no relatório. Não posso fazer julgamentos de relatório das CPIs. Não tenho conhecimento para analisar como tem um investigador da Polícia Federal, um procurador do Ministério Público e um ministro do Supremo. O que espero é que a apuração seja a mais severa possível".
Bial, então, pediu-lhe para falar do caso Visanet, no qual a auditoria do Banco do Brasil e as investigações da Polícia Federal comprovaram que houve a emissão de 80 mil notas frias por empresas de Marcos Valério, além de um pagamento adiantado de 20 milhões de reais feito à agência DNA, da qual Valério era sócio. O presidente saiu pela tangente: "Se a PF está comprovando, significa que o governo está investigando. Eu tenho informações do próprio Banco do Brasil de que o pagamento adiantado é uma norma que vem sendo praticada há algum tempo. Isso não foi inventado no dia em que eu tomei posse. Na medida em que há denuncia, tem investigação do Banco do Brasil. Provando, os culpados serão punidos da forma mais severa possível".
O repórter lhe disse que antes da entrevista, saiu às ruas para saber o que a população gostaria de saber do presidente. Comentou que a pergunta mais ouvida foi "Como ele não sabia nada?". Pediu que Lula explicasse isso. O presidente disse então que só há três formas de se saber de algo: participando da ação, sendo informado dela por alguém que participou, ou descobrir através de denúncias - o que, ficou subentendido, foi o seu caso. Bial retrucou, mas Lula foi categórico: "Se eu tivesse condições de saber, [ isso ] não teria acontecido", e emendou: "Com relação à minha pessoa, só peço que aqueles que me acusaram peçam desculpas. A leviandade tem um preço. É precipitado, errado, fazer qualquer julgamento precipitado. Dizer que a pessoa será a melhor ou pior em campo antes de o jogo começar não é correto".
O presidente ainda afirmou não saber se será candidato à reeleição em 2006. alegou que a sua preocupação atual é terminar o mandato e só resolver algo a partir do meio do ano. Bial questionou: "Mas não seria tarde demais?". Lula disse que não, que isso não é uma preocupação que ele tem. "Quem tem pressa são meus adversários", ironizou.
Quanto ao caixa dois, Bial perguntou se, ao admitir que o PT fazia uso desse expediente, alegando que os outros partidos também fazem, o partido não estaria se igualando aos demais. Lula respondeu que há montes e montes de denúncias de corrupção após as eleições. A diferença é que, no caso do governo do PT, elas estão sendo investigadas. "Estou convencido de que em nenhum momento da história teve um governo que colocasse o seu aparato para fazer investigação como nós temos feito. A PF tem trabalhado como nunca trabalhou nos últimos 20 anos", argumentou.
No mais, a entrevista teve algumas fases "palanqueiras", com o presidente exaltando a política econômica (que vai melhorar neste ano, segundo ele), os projetos sociais do governo, a auto-suficiência do petróleo, a parcela do FMI que o governo pagou adiantado, seus investimentos, etc.
O repórter finalizou perguntando onde o presidente pretende estar em 1º de janeiro de 2007. Lula deu um sorriso e gaguejou: "No Brasil", soltou imediatamente. Enfim, disse que estará em Brasília, ou passando a faixa para o próximo presidente ou assumindo ele mesmo mais um mandato.






