Lula: Os marcos históricos implicam em maiores cobranças, por Sophia Menezes*
Lula: Os marcos históricos implicam em maiores cobranças, por Sophia Menezes*
Lula : Os marcos históricos implicam em maiores cobranças, por Sophia Menezes*
*Sophia Menezes é aluna do curso de Jornalismo do Centro Universitário Nove de Julho O resultado desta eleição de 2006, com a vitória triunfante de Lula, foi um marco na história, por vários aspectos. O primeiro é que esta disputa eleitoral dividiu profundamente o Brasil entre ricos e pobres, e pela primeira vez o povo marca o gol da vitória, derrotando a elite.
O segundo ponto foi o apoio da grande imprensa, jogando no time dos ricos. Segundo o OBM - Observatório Brasileiro de Mídia, a candidatura de Lula foi a mais exposta pelos maiores jornais na última semana antes das eleições.
Os textos que a Folha de S. Paulo , O Estado de S. Paulo , o Correio Braziliense , O Globo e o Jornal do Brasil publicaram sobre o presidente tiveram o maior número de matérias negativas.
E foi o que se repetiu nas revistas semanais: Veja , IstoÉ , CartaCapital e Época , em que Lula foi citado negativamente em 66,7% das reportagens a respeito de sua candidatura, representando, assim, uma cobertura política nada democrática.
E, como sempre, subestimando a análise da população sobre os candidatos em jogo. E o que se deu? Se deu que a idéia de que a mídia é o quarto poder é simplesmente um grande engodo.
Também pela primeira vez em toda a história, ela, com sua arrogância, com seu comportamento ulterior de um suposto poder sobre a opinião pública, caiu por terra e não fez surtir efeito sobre o eleitorado, que se mostrou mais maduro e consciente. Marca-se, portanto, uma crise existencial do poder frágil da mídia anti-democrática desmascarada, desacreditada pelo povo, que decidiu por sua própria análise o que é melhor para si.
O segundo mandato do Governo Lula terá de ser muito mais cauteloso, pois sua reeleição não foi fruto da política marqueteira, como no primeiro mandato; este mandato agora é de responsabilidade do povo que o escolheu em meio a tantas denúncias e corrupções, em meio aos ataques midiáticos profundos, em meio à grande oposição da elite. Diferente da campanha eleitoral de 2002, na qual teve de virar um candidato sabonete, vestindo um perfil político publicitário se vendendo às estratégicas do marketing .
Lula que se cuide, pois agora ele realmente é fruto do povo, que o escolheu porque está vivendo melhor, com mais dignidade, com mais oportunidades, graças aos quatro anos do Governo Lula. Ele mesmo afirma que não tem direito de errar, e não tem mesmo, porque a cobrança popular será profunda.
Porque este resultado desta eleição, nada mais, nada menos, mostrou que o poder está com o povo, e ele quer mudar, mostrou que está disposto às mudanças, mostrou sua maturidade para decidir o futuro do país, mostrou sua manifestação à elite e à grande imprensa.
Portanto, Sr. Presidente, gostaríamos de dizer que está na hora de pensar sobre a política econômica deste país que, como diz o sociólogo e diretor do Centre National de la Recherche Scientifique , Michel Löwy, em Paris, sobre o governo Lula: "predominou o continuísmo, a orientação liberal, favorável aos bancos, ao capital financeiro nacional e internacional".
E que estamos de olho nos interesses desta política neoliberal, estamos de olho nas questões das reformas da previdência e trabalhista, estamos de olho no patrimônio do Brasil, não queremos privatizações.
E gostaríamos de perguntar a quem interessa tudo isso? E se isso cabe aos interesses dos pobres como foi dito? Porque não vamos esquecer que o senhor disse que os pobres terão prioridade no seu segundo mandato, que será um governo de justiça social. Não vamos esquecer e estamos de olho. 





