Língua portuguesa: Diogo Mainardi, aprenda: cadáveres não respiram
Língua portuguesa: Diogo Mainardi, aprenda: cadáveres não respiram
Língua portuguesa : Diogo Mainardi, aprenda: cadáveres não respiram
Ri à farta ao ler a expressão "cadáveres sufocados" no livro de Mainardi
Na página 57 do seu livro Polígono das secas , lançado em 1995 pela Companhia das Letras, o Diogo Mainardi se refere a três "cadáveres sufocados". Eis aí mais um dos numerosos disparates do Dioguinho: os defuntos respiram e portanto vivem, amam, odeiam, suspiram, sofrem, gozam. Qualquer pessoa, ao estrangulá-los, é capaz de lhes tirar a vida. Sensacional! Lógico!
Elias P. da Silva, irmão do Mosteiro de São Bento (Vinhedo, SP), enviou uma carta bem redigida a esta revista. Ele garante que a forma "foram" do verbo ir , no pretérito-mais-que-perfeito, é também da 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito do mesmo verbo. Concordo, prezado irmão Elias, porém o grave erro gramatical do Mainardi, na sua coluna da Veja (edição de 7-9-2005), continua ali, de maneira escandalosa:
"O resultado foram a perda de controle do Congresso e a eleição de Severino Cavalcanti".
Como já salientei, o Dioguinho evocou, na frase acima, apenas um e não vários resultados. Teria acertado se o início do período ficasse assim:
"Os resultados (no plural) foram..."
Quanto à troca do infligir por inflingir , o irmão Elias P. da Silva está certo, foi um descuido, mas o erro do Diogo Mainardi permanece:
"... que Deus Todo-Misericordioso infligira-lhe ..." ( Polígono das secas , página 49)
Mainardi ignora isto: a conjunção que atrai os pronomes lhe , se e o , além de outros. Apresento aqui, ao apurado olho crítico do irmão Elias, três frases do referido livro do Dioguinho:
"...o pouco que resta de seu bando dispersa-se ..." (página 31).
"Não é estranho que um tribunal torne-se ..." (página 34).
"À medida que o jerico arrasta-o ..." (página 111).
Meta na sua cabeça, Dioguinho: o que , nas três frases, atrai os pronomes se e o . Compreendeu?
Os textos desse colunista da Veja estão abarrotados de erros gramaticais. Trôpego no manejo do nosso idioma, autor de frases mal-azeitadas nas molas, que necessitam urgentemente de lubrificantes - frases capengas e vítimas de um artritismo crônico - ele também ignora que a preposição para atrai os pronomes. Abri ao acaso o caótico Polígono das secas e encontrei estes erros:
"...ansioso para unir-se ao bando..." (página 30).
"... para apropriar-se de todas as reservas hídricas..." (página 76).
"...Catarina Rosa oferece para sacrificar-se no lugar do filho..." (página 87).
Dioguinho, decore esta regra: a preposição para atrai normalmente os pronomes pessoais, objetivos e terminativos. Quer ver dois bons exemplos? Eu os dou de graça:
"Que coração o vosso para se oferecer a defendê-la!" (Jorge Ferreira de Vasconcelos, Eufrosina , ato V, cena V).
"Já para se entregar quase reunidos,
À fortuna das forças africanas" (Camões, Os Lusíadas , canto IV, estrofe 20).
* * *
Mais do que os coelhos da Austrália, os disparates se multiplicam nos textos do Dioguinho. Sob este aspecto, ele é de uma fecundidade assombrosa, nunca se mostra estéril como o útero de uma mula. Tenho desfechado, por causa disso, gargalhadas retumbantes, iguais as de Júpiter no Olimpo, quando o pai dos deuses fica bêbado. Ri à farta ao ler a expressão "cadáveres sufocados" no livro Polígono das secas e ainda me diverti como se eu estivesse num circo, depois de colocar os meus olhos no texto onde o Dioguinho, na página 82 do livro Arquipélago , informa que o seu ouvido é "surdo às queimaduras". Ha, ha, ha, ha, ha! Então o ouvido do Mainardi não consegue captar o som das queimaduras? Estas gemem, choram, berram? Dioguinho, consulte uma fonoaudióloga, submeta-se a um exame áudiométrico e compre depressa um moderníssimo aparelho auditivo com inteligência artificial, que reconhece a fonte sonora e se ajusta de modo automático. Se agir assim, você poderá ouvir as vozes desesperadas das suas queimaduras...
Na página 88 do mencionado livro, após comandar o desfile de centenas de frases mal-escritas, Mainardi salienta que resgatou "uma vaca que flutuava sobre uma prancha de plástico". Caramba! Nem as vacas sagradas da Índia são capazes de realizar tal proeza...E logo numa prancha de plástico! A declaração absurda me trouxe à memória estas palavras do poeta italiano Arturo Graf (1848-1913), inseridas na obra Ecce Homo :
"Não há no mundo um mentiroso tão perfeito que possa soltar uma mentira perfeita."
(" Non è al mondo cosi perfetto bugiardo che possa dire uma perfetta bugia" ).
Além dos infindáveis erros de português e dos disparates ultra-malucos, o que me choca nos livros do Dioguinho, embora eu seja a favor do livre direito de expressão, é ver como ele generaliza a torto e a direito:
"A brasileira é a mulher mais detestável do universo!" (página 21 do livro Contra o Brasil ).
"Muito melhor que uma criança é um macaco. Ter um filho equivale a enfiar um estranho dentro de casa. É como se eu levasse o gerente do meu banco para morar comigo e, ainda por cima, passasse a sustentá-lo". (página 141 do livro A tapas e pontapés ).
Amigo leitor, envie-me sua opinião sobre o que acabo de escrever. Eu a comentarei.






