Lillian Ross: "A expressão New Journalism foi uma jogada de marketing
Lillian Ross: "A expressão New Journalism foi uma jogada de marketing
Atualizado em 25/08/2006 às 13:08, por
Paula Desgualdo e Pedro Venceslau.
Lillian Ross : "A expressão New Journalism foi uma jogada de marketing
Por"Ela fez o jornalismo moderno ser considerado uma forma de arte". Este é o lead mais usado para apresentar a jornalista e escritora norte-americana Lillian Ross. Nascida em 1927, em Syracuse, ela esteve no Brasil para a quarta edição da Flip e, desde a primeira entrevista, demonstrou sua rejeição ao título de "avó do New Journalism ". Passado o calor da Festa Literária, a autora de clássicos como "Reporting" e "Filme" falou por e-mail com IMPRENSA e elogiou o trabalho dos jornalistas brasileiros. "Fiquei muito surpresa com a profundidade e a qualidade com que compreenderam os meus pontos de vista", disse. Aos 79 anos, Lillian Ross, um dos grandes nomes que construíram a fama da revista norte-americana The New Yorker , tem algo muito claro em sua mente: " Nada substitui o bom texto. E jornalismo, normalmente, é bom texto".
IMPRENSA - Quais foram as suas impressões gerais da Flip?
Lillian Ross - Eu fiquei muito impressionada com a receptividade, generosidade, curiosidade e honestidade das pessoas que organizaram o evento. Foi especialmente tocante, para mim, presenciar a homenagem a Jorge Amado e estar em contato com a grandiosidade de outros escritores brasileiros. Foi uma pena eu não poder participar de tantos outros excelentes debates.
IMPRENSA - Quais as suas referências do jornalismo brasileiro?
Lillian - Devido às limitações da língua, eu tenho apenas impressões superficiais do jornalismo brasileiro. Posso estar errada, mas acredito que ele sofra muita influência das revistas dos EUA e do excesso de marketing e propaganda das editoras e grandes empresas de mídia norte-americanas. Por outro lado, na maioria das entrevistas que dei a repórteres brasileiros, fiquei muito surpresa com a profundidade e a qualidade com que compreenderam os meus pontos de vista. Eles eram notavelmente desprendidos de alguns preconceitos e ressentimentos existentes nos EUA, que atrapalham a boa escrita e a boa reportagem.
IMPRENSA - Já virou clichê chamá-la de "avó do New Journalism ". Afinal, pode-se afirmar que existe um inventor do gênero?
Lillian - Os bons escritores põem sua marca individual em seu trabalho. Entre os melhores jornalistas, todos têm um estilo único. Por isso, acredito que não existe algo como inventar o " New Journalism ". Esta expressão foi uma jogada de marketing. A explicação de [Truman] Capote para o termo "literatura de não ficção" - baseado no que predecessores falavam - fez muito barulho na televisão e na imprensa, mas ele realmente era brilhante no que fazia. Em resumo, ele conseguiu o que queria - fama e sucesso - e os ecos disso persistem até hoje (mesmo no Brasil!). Mas, no final, - doente, sozinho e incapaz de escrever alguma coisa - Capote foi uma triste figura do jornalismo.
IMPRENSA - Quais são os seus repórteres preferidos na atualidade?
Lillian - Os meus repórteres favoritos trabalham todos na The New Yorker .
IMPRENSA - Existe uma crescente tendência, no jornalismo, em priorizar a imagem em detrimento do texto. Até mesmo a The New Yorker , uma revista de autores, foi atingida? O que a senhora pensa sobre esta tendência?
Lillian - Boa fotografia e boa arte complementam o bom jornalismo; um não anula o outro. Nada substitui o bom texto. E jornalismo, normalmente, é bom texto.






