Liberdade de Imprensa: Sob contradições, Brasil registra avanços e recuos

Liberdade de Imprensa: Sob contradições, Brasil registra avanços e recuos

Atualizado em 01/06/2007 às 15:06, por .

Liberdade de Imprensa: Sob contradições, Brasil registra avanços e recuos

Rodrigo Manzano - Diretor Editorial / IMPRENSA Editorial Mal cicatrizada da censura imposta pelo Regime Militar - apesar das duas décadas passadas - a Liberdade de Imprensa no país vive, em nossos dias, contradições que revelam a existência de vários agentes de repressão no trabalho dos jornalistas. Tal como é corrente afirmar existirem dois Brasis - o avançado e o atrasado, o cosmopolita e o colonial, e rico e o miserável - existem também, não apenas duas, mas várias condições de produção de notícia no país. Esse panorama é revelado pela Pesquisa "Liberdade de Imprensa segundo os jornalistas brasileiros", realizada pelo instituto Franceschini Análises de Mercado a pedido da Revista IMPRENSA, Maxpress e Aberje, em março deste ano.

Inimigo íntimo
Foram entrevistados, ao todo, 400 jornalistas de todo o território nacional e de todas as mídias (jornal, rádio, televisão, revista e internet) e em todos os cargos profissionais e editorias. Os dados, em alguns casos, são surpreendentes. E contraditórios. Se, por um lado, a liberdade de imprensa é um valor manifestado pela ampla maioria dos jornalistas (91% deles afirmaram que a liberdade é uma premissa para o bom jornalismo), mais da metade (57%) apontam a direção das empresas de jornalismo e comunicação como os maiores entraves à plena liberdade. Na seqüência, são indicados os políticos locais (21%), os anunciantes (14%) e dois ou mais agentes (3%). Apenas 4% dos profissionais consultados, espontaneamente, afirmaram não sofrer a interferência de ninguém. Para 71% dos entrevistados, a situação em cidades menores, em relação às condições de trabalho e liberdade de expressão, é pior.

Latino-americanos
Apesar das queixas, inesperadamente os dados relativos à liberdade de imprensa na América Latina e a percepção das condições no Brasil nos últimos quatro anos melhoraram, segundo a pesquisa. Apenas 2,5% citam o país como aquele em que há menos liberdade de imprensa, colocando o Brasil na 5a colocação do ranking elaborado pelos pesquisados, atrás de Venezuela, Cuba, Bolívia e Colômbia. Segundo as estatísticas mais conhecidas nessa área, elaborada pela Organização Repórteres Sem Fronteiras, de fato o Brasil estaria na dianteira desses países no quesito liberdade de imprensa, com exceção da Bolívia, de acordo com os números de 2006. Para os mesmos entrevistados, no entanto, o Brasil é o país que concede as melhores condições para que a liberdade de imprensa, de fato, exista (64,8%). É possível que o imbróglio das relações entre os governos de Evo Morales e Lula, por conta da nacionalização do petróleo boliviano e a quebra dos contratos com ao Petrobrás tenha provocado impacto na percepção da imprensa do país de Morales, além da declaração - contemporânea à pesquisa - de que Morales pretendia nacionalizar o jornal "La Razón", que pertence ao grupo espanhol Prisa, proprietário também do jornal "El País" na Espanha.

A matéria completa sobre a Pesquisa "Liberdade de Imprensa segundo os jornalistas brasileiros" pode ser lida na edição 224 da Revista IMPRENSA, nas bancas em junho, e outros dados pesquisados, conferidos ao longo das próximas semanas no Portal Imprensa.