Liberdade de expressão: "Continuaremos exibindo nossa programação pela Internet e em praças públicas", diz Marcel Granier, presidente da RCTV

Liberdade de expressão: "Continuaremos exibindo nossa programação pela Internet e em praças públicas", diz Marcel Granier, presidente da RCTVPor Cerca de 42 jornalistas participaram da entrevista coletiva com Marcel Granier, presidente da RCTV, e cobriram o ato em defesa da liberdade de expressão promovido pela Revista IMPRENSA e pela Associação Internacional de Radiodifusão, que aconteceu na tarde desta quinta-feira (28/06), no Hotel Grand Meliá Mofarrej, em São Paulo.

Atualizado em 28/06/2007 às 20:06, por Pedro Venceslau e Karina Padial / Redação Revista IMPRENSA.

exibindo nossa programação pela Internet e em praças públicas", diz Marcel Granier, presidente da RCTV Por Cerca de 42 jornalistas participaram da entrevista coletiva com Marcel Granier, presidente da RCTV, e cobriram o ato em defesa da liberdade de expressão promovido pela Revista IMPRENSA e pela Associação Internacional de Radiodifusão, que aconteceu na tarde desta quinta-feira (28/06), no Hotel Grand Meliá Mofarrej, em São Paulo.

Antes do evento, Granier e sua comitiva participaram de um almoço com dirigentes das principais emissoras de rádio e TV do país, além de editores de revistas, dirigentes de entidades e personalidades da comunicação. Entre os convidados estavam João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, João Carlos Saad, presidente do Grupo Bandeirantes, Daniel Pimentel Slaviero, presidente da ABERT e José Roberto Maluf, da revista Rolling Stone. Marcel Granier falou com os jornalistas durante cerca de três horas e não deixou ninguém sem resposta.

A RCTV saiu do ar no último dia 27 de maio por decisão do presidente Hugo Chávez, que não renovou a concessão do canal. A média de audiência da emissora era de 45%. Nos últimos dias chegou aos 80%. O presidente da emissora acredita que ainda é possível reverter essa decisão, já que um recurso ainda tramita na justiça venezuelana. "As manifestações de resistência são pacificas e democráticas. Eu confio que as pessoas conseguirão frear o avanço totalitário. As pesquisas mostram que mais de 80% da população da Venezuela está contra o fechamento da RCTV. Continuaremos exibindo nossa programação pela Internet, em praças públicas e através de sinais fechados. Vamos, ainda, tentar fechar acordos com pequenas emissoras locais que se interessem por nossa programação".

Granier não fugiu das perguntas difíceis. Questionado sobre a participação no golpe de abril de 2002 que tirou Chávez por 48 horas do poder, o presidente da RCTV disse que "o canal não fez cobertura a favor do golpe". Do lado de fora do evento, um grupo de cerca de 15 manifestantes com nariz de palhaço protestou contra o evento e exibiu cartazes em defesa do fim da concessão da RCTV.

Nove entidades participaram do ato em defesa da RCTV: ABAP (Associação Brasileiras das Agências de Publicidade), ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), ABI (Associação Brasileira de Imprensa), ABRA (Associação Brasileira de Radiodifusores), AESP (Associação das Emissoras de Rádio e TV do Estado de São Paulo), ANER (Associação Nacional de Jornais), ANJ (Associação Nacional de Jornais), CENP (Conselho Executivo das Normas Padrão), FENAPRO (Federação Nacional das Agências de Propaganda).

"Houve um repúdio geral da imprensa contra o fim da concessão da RCTV. É uma atitude muito drástica, radical. Não combina com a postura de democracia que Chávez diz defender até a morte. Cobri muitas vezes o Chávez na Venezuela. Percebi que ele vinha de várias maneiras tentando controlar informações e os meios de comunicação. Ele criou um manual de conteúdo para jornais e televisão. Em suma, ninguém podia falar mal do presidente. Isso não é democracia", diz José Roberto Burnier, que cobriu o evento pele Rede Globo.

Granier volta a Caracas nesta sexta feira (29/06), depois de conceder entrevistas exclusivas para Band, Jovem Pan, Valor, Terra e revista IMPRENSA.