José Alves, da Ogilvy: "Ninguém quer bater de frente com o "Jornal Nacional""

José Alves, da Ogilvy: "Ninguém quer bater de frente com o "Jornal Nacional""

Atualizado em 23/09/2005 às 16:09, por Denise Moraes | Redação Portal IMPRENSA.

José Alves, da Ogilvy: "Ninguém quer bater de frente com o "Jornal Nacional""


O diretor de mídia da Ogilvy fala sobre a importância do telejornalismo no mercado publicitário e questiona a necessidade de as outras emissoras em colocar seus telejornais antes do campeão de audiência da Rede Globo

IMPRENSA - O senhor acha que o telejornalismo está mais valorizado pelo mercado publicitário?

ALVES -
Eu não acho que o jornalismo está valorizado, acho que ele sempre foi valorizado, tanto que você pega o custo por mil do Jornal Nacional e, apesar de ser mais caro que o da novela, ele tem anunciante. Porque o anunciante busca prestígio e pessoas formadoras de opinião, e isso o telejornal oferece mais do que a novela. Então, apesar de ser mais caro, ele é valorizado. O jornalismo tem credibilidade, porque presta um serviço para a população e costuma ter boas audiências.


IMPRENSA - Que tipo de produto ou serviço mais anuncia em telejornalismo?


ALVES -
O telejornalismo é priorizado para campanhas institucionais e corporativas e também para o lançamento de produtos direcionados às camadas mais altas da sociedade. Ainda que o anúncio do telejornal seja mais caro que o da novela, o mercado aceita esse custo: primeiro porque a diferença não é tão grande assim; segundo, pelo público diferenciado.


IMPRENSA - Por que a coincidência de instituições financeiras patrocinando telejornais?

ALVES - Os bancos têm interesse porque estão sempre em busca de aplicadores e pessoas de um certo nível econômico e social que se acredita estarem vendo jornal. Assim como ocorre nas campanhas institucionais, os bancos buscam os telejornais quando buscam um público formador de opinião.

IMPRENSA - O que o senhor achou da mudança de horário do "SBT Brasil"?

ALVES - Quando eu soube que o SBT ia exibir o seu telejornal às 19h15, eu não achei um bom horário. Nos grandes centros, os executivos não chegam em casa a essa hora. E o anunciante está em busca justamente dessas pessoas.

O problema é que ninguém quer bater de frente com o "Jornal Nacional", então pegam esse horário das 19h. mas o SBT, por exemplo, já deu uma atrasadinha no horário, para 19h45, o que eu acho melhor, apesar de não ser ideal.


IMPRENSA - Qual seria o melhor horário, na sua opinião?


ALVES -
O ideal seria um telejornal depois do "Jornal Nacional", mas eu acho que as emissoras não gostam desse horário primeiro porque querem dar o furo e segundo por causa do horário nobre da programação. Imagine o SBT tirando o programa da Hebe para passar o "SBT Brasil"?