Jornalismo é sede de reportar | por Yara Verônica Ferreira - USJT (SP)
Jornalismo é sede de reportar | por Yara Verônica Ferreira - USJT (SP)
Jornalismo é sede de reportar | por Yara Verônica Ferreira - USJT (SP)
A Oboré - Projetos Especiais em Comunicação e Artes - em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) proporciona a estudantes de jornalismo uma experiência distinta das salas de aula. O projeto Repórter do Futuro recebe jornalistas como José Roberto de Alencar, Roberto Gazzi, Evandro Spinelli, Fábio Altman, Frederico de Almeida Vasconcelos, Sérgio Pinto de Almeida e Elvira Lobato, a fim de dividirem seus conhecimentos.
Elvira que atua no jornal Folha de S.Paulo , como repórter, ao contar como foram construídas as suas reportagens, elucidou aspectos da investigação imprescindíveis para quem quer seguir a carreira.
Aos 19 anos ela não se intimidou ao ouvir que na carreira jornalística é preciso conhecer alguém dentro da empresa. Preparou sua pauta e foi à luta. Vendeu a primeira matéria, "Moças de pensão", para o Jornal do Brasil .
Caçava detalhes entre as coisas mais comuns, assim surgiram as pautas sobre fábricas que empregavam apenas de mulheres, porque uma pessoa se torna um mendigo e nota fria em um monte de documentos que por si só já eram provas para outra matéria. "Fui deixando a vida me levar, fui embarcando nas histórias".
Do salto alto ao pé no chão, das fontes mais graduadas às mais simples, da selva amazônica ao asfalto da cidade, passaram-se 30 anos de carreira como repórter, mas diz ela "eu adoro ser repórter". Afinal, nenhuma outra profissão proporciona conhecer pessoas novas a cada dia e estar sempre a aprender sobre os mais diversos temas. "Adoro essa animação da vida de repórter."
Histórias, Elvira tem muitas para contar. Ela já passou 10 horas, durante três dias, em favela no Rio de Janeiro, uma semana enfurnada lendo processos sobre trabalho escravo em Brasília e, entre viagens nacionais e internacionais, rendeu-lhe mais experiência as noites dormidas em tribos indígenas e os passeios pelos rios da Amazônia.
Repórter tem que estar sempre alerta às oportunidades de pauta surgidas até mesmo de uma simples pergunta. Durante a campanha do ex-presidente Fernando Collor esteve nove vezes em Maceió e numa dessas, um policial militar pediu-lhe ajuda para ser segurança do Collor, afinal todos os seguranças eram seus colegas de profissão. Elvira não poderia fazer nada por ele, mas a pauta estava aberta. Checou como são as regras do funcionalismo público e descobriu que uma licença concedida é publicada em boletim. Todos estavam em pleno exercício de suas funções de segurança pública, não havia boletim, portanto recebiam salário pelo governo e cobriam a defesa de Collor, mesmo assim.
A "reportagem só vai surgir a partir do momento que você questiona", por isso repórter deve ser curioso e "não pode descartar uma coisa só porque não parece verossímil". O lema é por o pé na estrada e buscar quem possa informar algo mais sobre o assunto, nem que seja em "off". Depois é só cutucar mais até encontrar quem confirme as informações, nem que continuem em "off". Mas não pode haver dúvidas, não se acusa ninguém sem ter provas suficientes e efetivas.
A fim de elaborar uma boa reportagem, vale estudar legislação, ouvir especialistas, checar informações e sempre ir à luta. Mas há cuidados em relação a reportagens feitas de forma a não se identificar como jornalista, pois é uma prática questionada pelos profissionais. Os advogados alertam para casos nos quais o jornalista comete atos considerados criminosos para provar um denúncia ou uma desconfiança, como comprar drogas ou material ilícito.
Mas, se receber uma denúncia, nada de passar para o colega, a pauta é sua, tem que vestir o uniforme de jornalista e correr atrás de provas. Elvira ao receber uma denúncia sobre a facilitação para ganhar uma concessão de emissora de rádio, partiu em busca de informações adicionais, afinal o denunciante havia deixado escapar ser do Rio Grande do Sul e ter uma rádio em Uberlândia, então pediu todos os telefones de rádios da cidade que ele citou e em meia hora estava a falar novamente com a sua fonte, não mais anônima. Isso é jornalismo investigativo.






