Jornalismo e desinformação: Falta de preparo é um dos grandes problemas do jornalismo, por Josimara Silva*
Jornalismo e desinformação: Falta de preparo é um dos grandes problemas do jornalismo, por Josimara Silva*
Jornalismo e desinformação : Falta de preparo é um dos grandes problemas do jornalismo, por Josimara Silva*
*Josimara Silva é aluna do curso de Jornalismo da Universidade Cidade de São Paulo Em entrevista com Marcelo Beraba, presidente da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e ombudsman do jornal Folha de S.Paulo , ele fala dos sérios problemas que o jornalismo vive, como a concentração dos meios de comunicação que interfere na diversidade de informação, e a falta de preparo dos jornalistas.Em sua experiência como ombudsman no jornal Folha de S. Paulo , ele comenta que "é nítido como nossa profissão tem debilidades e grandes deficiências, e que a conseqüência disso é a perda de credibilidade".
Grande parte das reclamações que ele recebe dos leitores é referente à desinformação por parte dos jornalistas em cobrir assuntos específicos e também a enfoques errados. De acordo com os leitores não há aprofundamento nas informações e não existem apurações completas.
O ombudsman ressalta a importância da pesquisa para redigir um texto e cobrir um acontecimento."A base de jornalismo são as aspas e não o aprofundamento da entrevista". Segundo ele, os jornalistas não sabem procurar documentos, provas ou indicador comprobatório de uma informação. "Todo jornalismo deve ser investigativo no sentido que exige uma apuração", ressalta.
Ricardo Galhardo comenta que no início de sua carreira, seu primeiro chefe de reportagem na Sucursal do Estadão de Campinas lhe disse para ele se preparar o mínimo, pois se ele tivesse um milímetro a mais, se daria bem porque o nível é muito baixo.
O jornalista concorda com isso afirmando que o jornalismo que se faz no Brasil é muito burocrático. "Além da falta de profissionais preparados tecnicamente, há também a falta de curiosidade por parte dos jornalistas", diz.
Galhardo é repórter das editorias de Nacional e Política e antes de falar sobre sua atuação no front de guerra, critica a cobertura que a mídia faz sobre o Brasil real - "é ridículo falar isso porque hoje em dia os jornais estão muito presos às pautas de Brasília e deixam de fora muitas histórias que estão acontecendo no país", conclui.
Conflito armado e violência urbana - Quanto à sua atuação no Sul do Líbano, o jornalista optou por fazer coberturas voltadas para o Brasil "já que eles estão tão presentes aqui como os brasileiros lá".
Quando foi ao Líbano ainda não tinha experiência como correspondente de guerra e teve que entender o que era isso, qual era o contexto para que pudesse realizar seu trabalho. Contestando a forma como a imprensa cobriu a guerra entre Líbano e Israel o correspondente afirma que "as emissoras BBC e CNN fizeram uma cobertura pró Israel, mas a Fox superou em parcialidade".
Marcelo Beraba e Ricardo Galhardo concordam na falha da imprensa quanto às matérias referentes a violência, por exemplo, nos ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital). Segundo eles, não houve em nenhum momento um balanço técnico na área de criminalidade.
Outro problema que Galhardo detecta são as coberturas jornalísticas efetuadas nas favelas, concentradas apenas em criminalidade, tráfico de droga ou algumas excepcionalidades, "e quando há essas matérias, os problemas não são tratados, apenas noticiados", conclui.
O jornalista afirma que "a imprensa brasileira é extremamente elitista e não sabe cobrir esses temas. Os repórteres não conhecem a favela, não têm fontes lá. Há problemas de pauta". Para Galhardo os jornais não podem abrir mão de cobrir notícias de responsabilidade social nas favelas, principalmente na área de cultura. "A grande mídia dá preferência apenas ao que é importante para o mercado capitalista", finaliza Galhardo. 





