João Paulo Cunha: "A imprensa precisa entender que a opinião pública não é a opinião dos jornais"

João Paulo Cunha: "A imprensa precisa entender que a opinião pública não é a opinião dos jornais"

Atualizado em 05/04/2006 às 23:04, por Denise Moraes | Redação Portal Imprensa.

João Paulo Cunha: "A imprensa precisa entender que a opinião pública não é a opinião dos jornais"

O deputado federal e ex-presidente da Câmara de Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), discursou ontem na Câmara antes da votação de seu processo de cassação.

Seu discurso foi um festival de citações. Cunha citou os filósofos Aristóteles e Sócrates (quando falou da compatibilidade entre ética e política), o Padre Antonio Vieira ("A dor faz gritar, mas, se for muito forte, ela silencia") e até Raul Seixas (ao dizer que buscou coragem na figura paterna).

Após jurar inocência e alegar que não havia se manifestado antes em seu processo de cassação porque "lutar contra o poder da mídia é uma tarefa ingrata", o petista reservou uns disparos para a imprensa.

"A imprensa precisa entender que a opinião pública não é a opinião dos jornais", disse. Segundo ele, se isso não for entendido, daqui a pouco, o povo não elegerá mais; porque os jornais vão decidir a política do país.

"Os parlamentos de outros países têm sofrido os mesmos problemas que nós sofremos. Nós precisamos responder à sociedade, mas à sociedade, ao povo. O jornal cria uma tese, a sustenta como se fosse da opinião pública e cobra solução, sendo que a tese é dele!", alegou.

Cunha ainda fez uma relação entre a imprensa de hoje e a imprensa de outras épocas. Mencionou embates históricos como república versus monarquia, abolição versus escravatura e Eduardo Gomes versus Getúlio Vargas, e o posicionamento tomado pela imprensa em cada um deles, e concluiu: "A imprensa antigamente tinha opção política. Hoje, se faz opção por determinada política, mas não se assume".

Já os colegas deputados, cuja opinião não é pública (uma vez que votaram secretamente), absolveram Cunha da cassação.