Internet: O YouTube, a liberdade e a velha televisão
Internet: O YouTube, a liberdade e a velha televisão
Atualizado em 25/09/2006 às 17:09, por
Sérgio Alves e aluno do 7º período do Centro Universitário do Triângulo (Unitri)/ Uberlândia (MG).
Internet: O YouTube, a liberdade e a velha televisão
Por Os números são gigantescos:100 milhões de acessos diários e cerca de 15 mil novos vídeos enviados todos os dias. Mas afinal, qual o segredo do sucesso do YouTube?Quando há um ano e meio atrás, todos estavam ocupados com a celeuma causada pelo sucesso do Orkut, poucos investiam no vídeo na internet. Mas o grande oceano da rede, ainda continua sendo um mistério e sempre aberto a novas experiências, e às vezes, ao jogar uma isca, o resultado pode ser imprevisível. E mais uma vez, uma nova onda invadiu a maré "internáutica".
Tudo muito simples, um acesso fácil, um cadastramento rápido e pronto, você é a própria mídia e pode ser visto por milhões de pessoas na aldeia globalizada, tudo sem barreiras(exceto na China, afinal nem tudo é perfeito). E melhor, sem gastar um centavo, parodiando e "reescrevendo" o cinema novo, "basta uma câmera(ou celular) na mão e uma idéia na cabeça" e você esta lá, com qualquer tipo de conteúdo, afinal qual a importância do conteúdo. É a consagração da frase do ícone do movimento de arte-pop, Andy Warhol: "um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama".
Poucas regras e diversos problemas
Para explicar, só mesmo, voltando ao passado e a sempre atual "Teoria da Comunicação". Lembra-se de McLuhan e dos ensinamentos da escola Canadense: "Esse novo mundo, ligado pela tecnologia, torna-se a aldeia global. Desta forma, a mensagem produzida pelos meios de comunicação não é a questão mais importante. O que é verdadeiramente transformador dessa sociedade é a existência destes novos meios. Tais transformações são a sua mensagem".
Mas qual a verdadeira transformação provocada por este novo meio? Existe uma nova liberdade na produção ou estamos utopicamente contagiados pela novidade? Parece que o casuísmo dominou a rede e os novos "gênios milionários" ditam as regras, cada vez mais arbitrárias, singulares e dominadoras. Mas, por falar nisto, existe alguma regra?
A internet, sem dúvida alguma, reformulou a comunicação, as distâncias foram quebradas e para alguns tudo ficou mais fácil, até mesmo, para ganhar fortunas. Com este objetivo, tudo é negociável, até mesmo a pseuda-democratização do meio. Para avançar no promissor mercado chinês, as gigantes Microsoft, Yahoo e Google, aceitaram abrir mão de suas premissas e formularam para aqueles cidadãos uma "outra internet" ou quem sabe, uma "intranet" para atender aos interesses de seus arbitrários dirigentes.
O governo Chinês, com a ajuda dos "donos da rede" tem feito grandes investimentos e estabeleceram um rígido controle no conteúdo da internet naquele país. Qualquer cidadão que ouse furar esta censura é perseguida e presa, como têm acontecido com diversos blogueiros que, com suas idéias, desafiam o sistema. E quem pode garantir, que a moda não vai pegar? Com a abertura deste precedente poderemos ter no futuro uma internet na medida certa para cada governo, ou seja, a web a serviço da tirania.
Já no Brasil, a postura do Google, foi diferente. Em meio a uma temática criminosa, um dos grandes problemas da rede, e após receber 14 mil denúncias contra a rede de relacionamentos Orkut, o Ministério Público Federal pediu que a empresa colaborasse na investigação dos crimes, que envolviam entre outras coisas, tráfico de drogas e pedofilia, mas em nome da privacidade de seus usuários, a empresa fechou suas portas às investigações brasileiras.
Como se percebe, faltam regras e principalmente coerência. Para atender a interesses comerciais, se curvam diante da arbitrariedade e limitam o conteúdo. Mas quando solicitados a cooperarem na punição de criminosos, a lei da empresa fala mais alto. Em resumo, quem dita as regras são seus próprios interesses, moldados exclusivamente pelo mercado.
Outro grave problema diz respeito aos direitos autorais e o próprio direito à privacidade, que às gargalhadas (oYouTube que o diga) vem sendo constantemente desrespeitados.
Esvaziamento de conteúdo
Voltando a "Teoria da comunicação", o início da internet parecia à concretização do sonho da "cultura democrática" ou seja, "a produção cultural democratizada pelos novos meio de comunicação e acessível a diferentes classes sociais". Mas com o passar do tempo e movida por interesses exclusivamente financeiros, salvo algumas exceções, a rede tornou-se o próprio simulacro: "a fantasia, produzida de forma cada vez mais sofisticada, torna-se uma forma de fuga quando a realidade não satisfaz o indivíduo".
A Folha Online criou, em seu site, um espaço que evidencia as cinco notícias mais lidas por seus internautas. No último sábado(23/09) em meio a uma grave crise política e a outros tantos problemas que assolam o mundo e nosso país, lá estavam, entre as mais lidas:
1. Cicarelli passou dos limites com vídeo, diz Bruna Surfistinha
2. Site vende vídeo de Cicarelli; blog "morre" na praia após insistir em links
3. Vídeo com "cenas quentes" de Cicarelli e namorado cai na web
4. Conheça os 10 artistas que estão em baixa no "mercado dos famosos"
5. Vídeo polêmico de Daniella Cicarelli ganha mídia internacional
A difusão e a busca por conteúdos irrelevantes tem caracterizado o sucesso de audiência na internet. A presença do vídeo, por incrível que pareça, lhe transforma na velha televisão, mais fragmentada, com menos regras e gerando muito mais desinformação. Alguém se habilita a ser o novo famoso(ou Cicarelli) da vez?






