Internacional: Jornalista norte-americano independente é assassinado em revoltas no México

Internacional: Jornalista norte-americano independente é assassinado em revoltas no México

Atualizado em 03/11/2006 às 11:11, por Redação Portal IMPRENSA.

Internacional : Jornalista norte-americano independente é assassinado em revoltas no México

Na sexta-feira passada (27/10), o repórter norte-americano Bradley Will, do canal independente nova-iorquino Indymedia, foi assassinado por paramilitares pró-governo em decorrência de conflitos armados na província de Oaxaca, no México.

Um fotógrafo do jornal mexicano Millenio Diario , que estava ao lado de Will, também foi atingido, com um tiro no pé, e levado às pressas para o hospital.

Will, que colabora com o Centro de Mídia Independente, CMI, filmava uma manifestação de populares, quando policiais próximos da ação, revidaram com tiros.

Os manifestantes começaram a correr, para escapar das balas, e foram acompanhados pelo jornalista. Em determinado momento, Will é atingido e cai no chão, mas sua câmera continua a gravar.

Pouco depois, o repórter, que sempre esteve ligado à cobertura independente de movimentos sociais populares da América Latina, teve sua morte diagnosticada.

A imagem já correu o mundo e pode ser vista em diversos sites .

Will veio ao Brasil em 2005, para acompanhar a desocupação de um prédio que havia sido tomado por um grupo sem-teto em Goiânia (GO).

A Organização dos Estados Americanos, OEA, exigiu investigações por parte do Governo mexicano.

A província de Oaxaca, localizada a 442 km da capital Cidade do México, vem sendo palco de um conflito que já matou mais de dez pessoas desde junho deste ano.

A guerra civil começou quando uma greve por melhores salários para os professores deu inicio a um levante de reivindicações políticas dos moradores e a ocupação da praça central, em 22 de junho, por meio de barricadas.

À ocasião, depois de uma batalha contra policiais que deixou 160 feridos, foi formada a Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca, APPO, que representa os 70 mil profissionais de ensino da província e outras organizações sociais.

Hoje, a APPO pede também a renúncia do governador Ulises Ruiz, acusado de corrupção e repressão violenta de movimentos sociais. O senado mexicano aprovou textos que pedem a renúncia de Ruiz, que já anunciou que não deixará o cargo.

No começo desta semana, o Governo federal enviou centenas de soldados da Polícia Federal para Oaxaca e já admitiu que a situação está fora de controle.