Internacional: Jornais passam a descrever conflito no Iraque como "guerra civil"

Internacional: Jornais passam a descrever conflito no Iraque como "guerra civil"

Atualizado em 29/11/2006 às 09:11, por Redação Portal IMPRENSA.

Internacional : Jornais passam a descrever conflito no Iraque como "guerra civil"

A despeito de objeções da Casa Branca e do presidente George W. Bush, grandes veículos de imprensa dos Estados Unidos seguiram a decisão do canal NBC e passaram a tratar o conflito no Iraque como "guerra civil".

Na última segunda-feira (27/11), a rede de televisão divulgou amplamente a mudança na forma de denominação da invasão norte-americana. Agora, outros importantes veículos também passaram a adotar a expressão.

"Fica difícil argumentar que esta guerra não se enquadra na definição amplamente aceita de guerra civil", justificou, em comunicado, o editor-executivo do The New York Times , Bill Keller.

O jornal, um dos mais importantes do mundo, afirmou que vai empregar o termo com moderação, sem excluir outros rótulos - já que o conflito também pode ser caracterizado, na visão do NY Times , como insurgência, ocupação, batalha contra o terrorismo e mesmo "palco de gangsterismo criminoso".

Minneapolis Star Tribune , Sacramento Bee e Christian Science Monitor são outras publicações diárias que também já descrevem o conflito como "guerra civil".

Na TV, CNN, ABC e CBS disseram que alguns de seus correspondentes já se referiram à violência no Iraque como guerra civil ou já debateram com especialistas sobre a conveniência de empregar o termo.

Em Los Angeles, o Times local reivindicou o ineditismo no uso da expressão; o jornal afirma que adotou o termo em outubro, mas sem fazer o alarde da NBC.

O presidente Bush resiste à idéia de que a invasão no Iraque estaria se tornando uma guerra civil. Em entrevista coletiva na Estônia ontem (28/11), ele foi perguntado qual é a diferença entre o que ocorre no Oriente Médio atualmente e uma guerra civil.

Bush disse que os ataques a bomba mais recentes integram um padrão de ataques de militantes da Al Qaeda iniciado há nove meses e que tem por objetivo fomentar a violência sectária, ao provocar retaliações.

O assessor de segurança nacional da Casa Branca, Stephen Hadley, disse que nem os iraquianos se referem ao conflito como guerra civil, porque o exército e a polícia não se dividiram em linhas sectárias e o governo continua coeso.