Internacional: Imprensa mundial se divide quanto à condenação de Saddam Hussein

Internacional: Imprensa mundial se divide quanto à condenação de Saddam Hussein

Atualizado em 06/11/2006 às 11:11, por Redação Portal IMPRENSA.

Internacional : Imprensa mundial se divide quanto à condenação de Saddam Hussein

Enquanto os grandes jornais brasileiros ignoraram, em seus editoriais, a condenação à morte do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, as publicações internacionais se mostraram divididas hoje (06/11).

Americanos e ingleses aprovaram ou desconfiaram da decisão do tribunal, questionando os rumos aos quais ela pode levar no Iraque. No resto do planeta, os questionamentos foram em relação à suposta interferência dos EUA no veredicto.

O The New York Times , contrário à pena de morte, pediu que se adie a execução da sentença até que seja encerrado o julgamento do segundo processo movido contra o ex-presidente.

"A condenação não ofereceu ao Iraque nem a justiça total, nem a eqüidade total que merece", acredita o editorial. "O presidente George W. Bush foi muito ambicioso".

O The Wall Street Journal e o Washington Post , de outro lado, seguiram uma linha diferente. Para ambos, o julgamento foi imperfeito, porque pode piorar o conflito civil no Iraque a curto prazo; mas, ainda assim, deve ajudar a fortalecer a democracia no país.

Na Inglaterra, o tablóide sensacionalista The Sun aplaudiu radicalmente a decisão. "Não pode haver um final mais merecido do que a forca para esse bandido que chegou a presidente", diz, em seu editorial.

O The Daily Telegraph adotou linha semelhante, afirmando acreditar que a morte de Saddam seja necessária, mas insuficiente para encerrar os conflitos.

Para Daily Mirror , The Guardian e The Independent , a coisa é um pouco diferente. "Se um novo Iraque deve surgir das ruínas, abster-se de cometer um assassinato legal seria um bom começo", lembrou o segundo.

O primeiro pediu que ao mundo desconfiança, pelas felicitações pela condenação à morte de um homem, "mesmo que se trate de Saddam".

"Oficialmente, o julgamento foi organizado pelos iraquianos, mas os especialistas acham que a data do anúncio do veredicto foi escolhida para mostrar aos eleitores americanos os progressos no Iraque", opinou o japonês Asahi Shimbun , lembrando das eleições legislativas dos Estados Unidos amanhã.

El País , na Espanha, seguiu a mesma linha, apontando "irregularidades processuais e politização do julgamento". O alemão Berliner Zeitung considerou que "a Justiça foi manipulada pelas forças de ocupação norte-americanas".

No Paquistão, o The Nation afirmou que a decisão teve "ares de farsa", mas refutou a possibilidade de o veredicto fortalecer os republicanos, que apóiam George W. Bush, na votação de amanhã.

A opinião foi compartilhada pelo australiano Sidney Morning Herald , mas contrariada por jornais do Qatar e da Arábia Saudita.