Internacional: Assassinato de jornalista russa causa indignação

Internacional: Assassinato de jornalista russa causa indignação

Atualizado em 09/10/2006 às 09:10, por Redação Portal IMPRENSA.

Internacional : Assassinato de jornalista russa causa indignação

O assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaia, praticamente a única repórter de seu país a informar sobre as violações dos direitos humanos na Chechênia, levantou ontem (08/10) indignação na Rússia e no exterior.

Os Estados Unidos e o Conselho da Europa se uniram a políticos russos, jornalistas e ativistas de direitos humanos na condenação do assassinato de Politkovskaia no sábado (07/10), diante de sua casa no centro de Moscou. O ex-presidente soviético Mikhail Gorbachov, acionista do jornal em que trabalhava Politkovskaia, o Novaya Gazeta , classificou a morte de "selvagem" e de "golpe à democracia e à imprensa independente".

Na Rússia, o assassinato da jornalista, cujo funeral acontecerá amanhã (10/10), foi primeira página neste domingo de todos os informativos. Já a elite do poder, liderada pelo presidente Vladimir Putin, ainda não havia se pronunciado 24 horas depois de sua morte. Uma manifestação organizada ontem para denunciar a campanha contra os georgianos na Rússia se converteu também numa homenagem em memória de Politkovskaia.

Nos cartazes, podiam ser lidas as frases "O Kremlin matou a liberdade de expressão" e "Putin responderá por tudo". "Sua obra deve continuar. É necessário que os jornalistas sigam seu exemplo. Viveu heroicamente e morreu heroicamente", afirmou a presidente do grupo Helsinque em Moscou, Liudmila Alexeeva.

Norte-americanos se disseram "chocados" com o assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya e pediram a Moscou que leve os responsáveis à Justiça. "Os EUA estão profundamente entristecidos com o assassinato brutal da jornalista russa independente Anna Politkovskaya, que foi morta no sábado no prédio de seu apartamento", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, em um comunicado.

Referindo-se a Politkovskaya como "uma repórter e escritora investigativa altamente respeitada e incansável", que trabalhou apesar das ameaças de morte, McCormack acrescentou que o país estende "suas mais profundas condolências à família". "Os Estados Unidos pedem ao governo russo que realize uma investigação imediata e completa para descobrir, processar e levar à Justiça todos os responsáveis por este assassinato abominável", concluiu o porta-voz.

Politkovskaya ganhou fama na Rússia e no exterior por sua cobertura persistente e algumas vezes angustiosa sobre as atrocidades das forças russas e das milícias na república separatista da Chechênia, bem como a corrupção nas Forças Armadas. Sua forma de fazer jornalismo contrastava fortemente com o resto da mídia russa, que ignora estes temas politicamente explosivos desde que o presidente Vladimir Putin chegou ao poder, em 2000.

Lembrando que 12 jornalistas foram assassinados na Rússia nos últimos seis anos, McCormack disse que a intimidação e o assassinato de jornalistas são "uma afronta à mídia livre e independente e aos valores democráticos".

Segundo seus colegas de trabalho, Politkovskaia estava preparando uma reportagem sobre a tortura na Chechênia. O editor do Novaya Gazeta , Dmitri Muratov, declarou que "ela tinha fotografias muito importantes que mostravam tudo [sobre a tortura na Chechênia]. Seu material seria publicado na edição de segunda-feira [hoje]. Temos algumas de suas notas e certamente publicaremos uma parte do material".

Politkovskaia é a 42ª jornalista assassinada na Rússia desde o fim do comunismo e a 12ª desde que Vladimir Putin chegou à presidência em 2000, segundo o Comitê de Proteção de Jornalistas, com sede em Nova Iorque.