Guerra declarada: Evo Morales divulga lista negra de jornalistas e reclama de "passividade" da SIP
Guerra declarada: Evo Morales divulga lista negra de jornalistas e reclama de "passividade" da SIP
Guerra declarada : Evo Morales divulga lista negra de jornalistas e reclama de "passividade" da SIP
O presidente da Bolívia, Evo Morales, deu ontem (04/10) mais um passo para atribular a já complicada relação que mantém com jornalistas - nacionais e estrangeiros. A ABI, agência de notícias estatal do país, divulgou uma "lista negra" com os nomes de profissionais e proprietários de meios de comunicação que fazem oposição aberta ao Governo.Analistas e comentaristas de rádio, TV e jornais são considerados pela ABI "inimigos", "que criticam as `tentações totalitárias´ de governos populares que enfrentam o império".
A agência considera, a partir de um estudo independente - também divulgado ontem -, que, durante o processo eleitoral em dezembro último, jornais impressos foram mais equilibrados em sua cobertura, mas abriram espaço em suas páginas opinativas para comentários que destilavam "racismo e ódio" a Morales.
Dirigentes do Movimento Ao Socialismo, MAS, partido do presidente, corroboraram a lista negra e classificaram de "barbaridade" os contratos publicitários mantidos por Morales e suas estatais com empresas de comunicação que "não se dão ao respeito e fazem o jogo da oposição".
Outra briga comprada ontem pelo presidente boliviano foi com a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol). Após um jogo de futebol entre sua equipe e a de correspondentes estrangeiros - vencido por 11 a 1 pelo time do Governo -, Morales anunciou que vai enviar uma carta à entidade, para perguntar o que a motiva a não se pronunciar sobre alguns jornalistas que o chamam de "ignorante" e "louco".
"Até mesmo jornalistas do exterior vêm para me ofender. Caso um jornalista boliviano viajasse para a Espanha ou outro país e ofendesse um presidente, eu sei que ele seria expulso. Aqui não expulsamos ninguém, pois somos mais tolerantes", declarou, sem especificar casos. "Gostaria que a SIP se preocupasse com essa situação".
Nas conclusões de sua recém-encerrada 62ª Assembléia Geral anual, a entidade colocou a Bolívia entre os países cujos presidentes "assumiram pessoalmente a tarefa de enfrentar publicamente a imprensa e os jornalistas" opositores, em um grupo no qual também foram incluídos Honduras, Colômbia e Uruguai.
A SIP criticou a criação de uma rede de meios de comunicação comunitários e camponeses na Bolívia com o apoio do presidente venezuelano, Hugo Chávez, apontando nesses veículos uma tentativa de atentado à liberdade de imprensa.
A ABI aproveitou para atacar, junto da "lista negra", a entidade interamericana. "A SIP atua exatamente do modo como atua o governo americano contra países como Cuba, Venezuela e Bolívia", afirma o relatório. Dirigentes do MAS estabeleceram ligações entre a entidade e a CIA.
"Não há nada de estranho em o Estado poder financiar um meio de comunicação com o apoio de outros países amigos. Acontece que a SIP não tem apenas interesses empresariais econômicos, mas também políticos, e deste ponto de vista medem a liberdade de expressão, mas nunca dizem nada quando os meios de comunicação censuram, exploram ou demitem jornalistas sem pagar seus direitos", criticou um deputado do MAS. 





