Furo do Mês: Saiba como a Rede Record estragou as férias de Suzane von Richthofen

Furo do Mês: Saiba como a Rede Record estragou as férias de Suzane von Richthofen

Atualizado em 07/02/2006 às 09:02, por Por: Gustavo Girotto / Redação Portal IMPRENSA.

Furo do Mês: Saiba como a Rede Record estragou as férias de Suzane von Richthofen

Sete meses de trabalho investigativo, muita paciência e Orkut. Essa foi a receita do "Domingo Espetacular" para o seu grande furo do ano - um flagra de Suzane von Richthofen, a estudante que assassinou os pais, tomando sol e fazendo compras no litoral de São Paulo. A trilha do furo foi aberta graças ao site de relacionamentos mais popular do mundo, o Orkut.

Enquanto a imprensa estampava que Suzane havia deixado a penitenciária feminina de Rio Claro, no interior do Estado de São Paulo, no dia 29 de junho de 2005, depois de três anos de prisão, os perdigueiros da Record foram atrás de seu paradeiro. "Havia rumores de que ela estivesse na casa de tios no interior paulista e começamos a investigar. Em seguida, deduzimos que a jovem estava com um advogado amigo da família devido a um scrap no Orkut, postado para uma amiga de São Paulo. Fechamos o cerco e conseguimos a reportagem", conta Paulo Nicolau, editor-chefe do programa Domingo Espetacular.

Foi na noite de 25 de janeiro, depois de 210 dias de investigação, que o jornalista da TV Record, Leandro Sant´ana, chegou no apartamento do advogado e amigo da família, Denivaldo Bárni, em Ubatuba (litoral norte de São Paulo), local do "esconderijo" de férias que estava sendo utilizado por Suzane.

Antes de chegar ao apartamento do litoral, a equipe da Record descartou várias pistas falsas que indicavam que Suzana estaria no interior do estado.

"Começamos a investigar Bárni, procurador jurídico da Dersa, empresa estatal paulista onde trabalhou com Manfred. Tínhamos a informação que ele [Bárni] é uma espécie de padrinho de Suzane e aparecia nas imagens do enterro do casal Richthofen. Como ele reside na capital, ela só poderia estar em sua companhia", conta Paulo Nicolau.

Mesmo com imagens captadas pelo produtor Rafael Boucinha, que filmou a jovem pagando a conta de um restaurante, onde almoçou no domingo (29/01), o editor disse ao Portal IMPRENSA que ainda existiam dúvidas sobre o furo. "Não tínhamos certeza se era ela e encaminhamos todo o material para um perito avaliar. No sábado (04/02), véspera do programa, Suzane e a família de Bárni acordaram cedo e pegaram a estrada rumo a São Paulo. Tínhamos o material, porém, a redação ficou em clima de tensão por não ter absoluta certeza que era Suzane. A fisionomia estava diferente e, se fosse ao ar, poderia ser a barriga do ano".

A comprovação do caso aconteceu na manhã de domingo (05/02), quando o jornalista Paulo Henrique Amorim conversou com Bárni. "Ele afirmou que Suzane esteve mesmo no litoral seguindo uma orientação da avó. Também pediu para não detonar a garota. Os resultados do trabalho foram imagens exclusivas no programa Domingo Espetacular, da TV Record, mostrando Suzane, visivelmente acima do peso, alegre e brincalhona", finaliza o perdigueiro.

Segundo a Record, o programa "Domingo Espetacular" ficou pela primeira vez por 2 minutos na frente da Rede Globo.

A matéria especial contou, ainda, que Suzane gastou boa parte do tempo em compras e que ela, o advogado e mais duas pessoas costumavam ir à praia de carro. Em público, a jovem tentava esconder o rosto, mas não se importava de estar cercada de pessoas. Durante a reportagem, a apresentadora Lorena Calábria cogitou a possibilidade de Suzane estar grávida, mas o fato não foi comprovado pela reportagem.

Na tarde de segunda-feira (06/02), o site da Agência Estado, publicou matéria relatando que fontes próximas à ex-estudante de Direito, negaram que ela esteja grávida.

Suzane ao lado de Bárni, amigo da família

Na noite do crime
Jovem, bonita e rica, Suzane Von Richthofen estudava direito na PUC-SP quando assassinou os pais. O crime aconteceu na noite de 31 de outubro de 2002.

O assassinato foi articulado entre Suzane, seu namorado Daniel e o irmão dele, Cristian Cravinhos. Depois de negar reiteradas vezes, a jovem confessou ter planejado a morte dos pais, o engenheiro Manfred Albert e a psiquiatra Marísia Von Richthofen.

O casal foi golpeado com barras de ferro e asfixiado enquanto dormia. O crime espantou não só pela brutalidade, mas pela frieza da menina. Foi Suzane quem abriu as portas da casa aos irmãos Cravinhos na noite do crime e cuidou de detalhes para praticar a ação, como desligar alarmes, limpar a cena do crime, esconder provas, simular o roubo de R$ 8.000, US$ 5.000 e 420 euros, além de retirar de casa o irmão, Andreas.

Suzane ficou presa na penitenciária feminina de Rio Claro, no interior do Estado de São Paulo, sendo libertada no dia 29 de junho de 2005, depois de três anos de prisão. Os irmãos Cravinhos continuam detidos no Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém, em São Paulo.

A equipe do Domingo Espetacular responsável pela matéria foi composta por reportagem: Leandro Sant'ana, Leandro Cipoloni e Paulo Henrique Amorim. A produção foi de Rafael Perantunes e Rafael Boucinha. Produção e coordenação geral: Paulo Nicolau.