FENAJ - Polícia prepara pizza na investigação da escuta ilegal no Espírito Santo

FENAJ - Polícia prepara pizza na investigação da escuta ilegal no Espírito Santo

Atualizado em 17/01/2006 às 08:01, por Por: Federação Nacional dos Jornalistas.

FENAJ - Polícia prepara pizza na investigação da escuta ilegal no Espírito Santo

A culpa é do mordomo. Como já era previsto, o inquérito policial que apura o grampo na Rede Gazeta, no Espírito Santo, pode acabar em pizza. Segundo a polícia do governo do Estado o responsável pelo crime é o funcionário da Vivo que incluiu, por equívoco, o número da redação na relação de telefones grampeados. Ao confundir, na digitação, os números das linhas da empresa Gazeta com a empresa supostamente ligada ao acusado da morte do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, o digitador teria induzido as autoridades ao erro. A conclusão do inquérito é absurda. Os documentos que a FENAJ e Sindicato dos Jornalistas do ES entregaram ao ministro da Justiça e que estão com a Polícia Federal provam que os responsáveis pela escuta ilegal sabiam tinham pleno conhecimento que o telefone era da Rede Gazeta.

Para a diretoria do Sindicato, o resultado desse inquérito não responde a nenhuma das questões levantadas em 9 de dezembro, quando foi feita a denúncia de escuta ilegal: quem mandou grampear os jornalistas da Gazeta e por quê? "Os jornalistas e a sociedade têm o direito de saber quem patrocinou essa escuta ilegal e os órgãos competentes têm a obrigação de punir quem se colocou acima da lei", enfatiza Suzana Tatagiba, presidente do Sindicato.

Em nota oficial distribuída na semana passada à população e assinada conjuntamente com a FENAJ, o Sindicato manifesta o inconformismo dos profissionais de imprensa e das suas entidades filiadas frente à ausência de responsabilização dos agentes públicos envolvidos na criminosa interceptação telefônica que vitimou jornalistas e suas fontes de informação. Segundo o documento um mês após a denúncia do "grampo" a falta de respostas plausíveis é responsável pela manutenção de um quadro de incertezas, próprio de um ambiente onde existe o temor quanto à utilização corriqueira de métodos escusos por meio dos quais o Estado procura obter informações da sociedade. "A ausência de esclarecimentos convincentes que apontem de forma definitiva para a autoria e a punição dos crimes cometidos, seja no âmbito do Executivo ou do Judiciário, longe de representar a superação do problema, apenas evidencia o sentimento de insegurança", conclui o documento.

Para a FENAJ e o Sindicato diante de diversas provas e evidências, não é possível conviver mais uma vez com a impunidade. O cenário atual das apurações do "grampo" apenas reforça o pedido de federalização das investigações feito ao ministro da Justiça e à Procuradora Geral da República, em 15 de dezembro passado e, até o momento, sem respostas.