Ética: Jornalistas debatem qualidade das coberturas de segurança pública

Ética: Jornalistas debatem qualidade das coberturas de segurança pública

Atualizado em 13/06/2007 às 12:06, por Nathália Duarte / Redação Portal IMPRENSA.

Ética: Jornalistas debatem qualidade das coberturas de segurança pública

Em reunião, realizada na última terça-feira (12), diretores, editores, colunistas e repórteres dos principais jornais de todo o Brasil se encontraram para debater a cobertura jornalística da segurança pública. O encontro foi promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) e discutiu as questões éticas que abrangem o dia-a-dia dos veículos e as dificuldades que enfrentam em grandes coberturas.

Diante do cenário em que se encontra o país, o assunto está em alta e merece ser debatido. Apesar da visibilidade do assunto, foi a primeira vez que editores de grandes veículos se reuniram para discutir meios de amenizar a violência.

Segundo o Diretor de Redação da Zero Hora e Diretor do Comitê Editorial da ANJ, Marcelo Rech, o encontro serviu para possibilitar reflexões sobre os métodos de cobertura que são adotados pelos jornais e abriu espaço para um debate e uma troca de experiências que permite aos veículos, cada um a seu modo, reinventarem sua cobertura.

Rech defende ainda a urgência em tratar a cobertura de segurança como qualquer outra editorial tradicional, e não apenas como era tratada, em outros tempos, a cobertura de polícia. "Precisamos tratar esse tipo de jornalismo com a mesma importância que tratamos das editorias tradicionais. É fundamental, nesse momento, treinar as equipes, aumentar o espaço para as coberturas dentro dos jornais, e organizar as redações a fim de estrutura-las pra lidar melhor com isso. Vamos tentar qualificar esse tipo de cobertura sem recorrer ao sensacionalismo", completa.

O outro lado da história

O ponto de vista dos jornalista também esteve em pauta. Os profissionais presentes levantaram questões sobre os riscos que ameaçam as equipes de reportagem durante coberturas em áreas de conflito e debateram ainda aspectos éticos e jurídicos com especialistas na área.

Depoimentos de pessoas que cobrem conflitos impressionaram os presentes e abriram espaço para uma reflexão sobre a grave realidade que cerca a rotina dos comunicadores. A troca de informações sobre a necessidade de cautela e sobre meios de correr menos riscos sem deixar de cobrir as regiões perigosas também teve grande espaço no encontro.

Os dados levantados não são novos, mas devem permanecer nas manchetes dos jornais ainda por muito tempo. Marcelo Rech acredita que ainda há muito o que refletir mas a profundidade das discussões proporcionou um grande avanço, até para a compreensão de diferentes pontos de vista entre os próprios jornalistas.

Dentro do prazo de um ano, outro evento como esse deve ser realizado para uma avaliação dos resultados.