Espionagem: Kroll contesta blog de Josias de Souza
Espionagem: Kroll contesta blog de Josias de Souza
Atualizado em 19/01/2006 às 13:01, por
Thaís Naldoni / Redação Portal IMPRENSA.
Espionagem: Kroll contesta blog de Josias de Souza
PorEm sua edição de nº 209, de janeiro de 2006, a revista IMPRENSA publicou uma nota comentando a suposta espionagem de jornalistas por parte de Kroll, denunciada pelo blog do jornalista Josias de Souza. No entanto, no último dia 21/12/2005, o jornalista publicou declarações da Kroll, em que ela se defendia e negava as acusações. Dessa forma, o portal IMPRENSA reproduz a carta enviada pela empresa ao jornalista. Acompanhe.
Prezado Jornalista Josias de Souza,
Acredito que a matéria publicada em seu blog hoje pela manhã, "Kroll espiona jornalistas a mando do Opportunity", confere a nós a chance de dirimir alguns mal entendidos que, apesar de várias vezes contestados por nós, ainda dão substância a diversas matérias em diferentes órgãos de imprensa.
Primeiramente, lembro que o famigerado "relatório da Kroll", que resultou na matéria do jornal Folha de São Paulo , publicada em 22 de julho de 2004, tem sua origem em um documento recebido anonimamente pela empresa Telecom Itália, que o enviou para a redação da própria Folha - conforme divulgado à época. Obviamente, é no mínimo questionável a validade de tal documento, visto que a parte que acusou o seu recebimento "anônimo" estava envolvida na maior disputa comercial privada da história recente.
A partir daí, e apesar de nossos inúmeros comunicados divulgados à imprensa, ficou valendo a versão de que a Kroll teria "espionado" políticos, executivos e jornalistas. Foram divulgadas diversas matérias em que a Kroll apareceria como a empresa que faz grampos e que teve acesso a dados sigilosos. Recordo que a própria Folha divulgou que, após a busca e apreensão na sede da empresa, teria sido encontrado aparelho de "grampo telefônico em franca operação", conforme afirmação de um delegado que participou da referida operação Chacal.
Este equipamento já retornou à Kroll em meados de 2005 e a partir de ordem judicial que destacava a perícia da Polícia Federal, indicando que o equipamento não se destinava à interceptação telefônica. Destacamos que o dito equipamento destina-se exclusivamente a varreduras ambientais e tem por objetivo exatamente aquele de detectar e coibir grampos ambientais e telefônicos. A própria Folha , à época, consultou diversos especialistas e todos foram unânimes em indicar que, pelas características técnicas, aqueles equipamentos não se destinavam a interceptação telefônica.
Lembro que a Kroll, apesar de refutar o relatório publicado em julho de 2004 pela Folha de São Paulo em vista de sua origem duvidosa, esclarece que os referidos e-mails a que a Kroll teria tido acesso são extratos de conhecimento público, conforme descrito em diversas edições da revista Carta Capital durante todo o ano de 2001. O resgate dos arquivos da referida revista poderia lançar luz sobre a origem dos dados em discussão.
A Kroll nunca investigou e não investiga governos, conforme amplamente reiterado nas diversas notas divulgadas à imprensa e exaustivamente esclarecido pelos seus diretores. O mesmo transparece com relação ao Sr. Cássio Kasseb.
Apesar de sua má qualidade de impressão, a se considerar legítimo o documento que hoje foi publicado, é importante notar que o segundo parágrafo do memorandum diz: "All information contained in this memo has been collected under the rule of law in Brazil through a combination of private and public sources", o que, traduzido para o Português significa, exatamente: "Todas as informações contidas neste memo foram coletadas legalmente, de acordo com a lei brasileira, através de uma combinação de fontes públicas e privadas."
Este parágrafo exemplifica com precisão a forma de atuação da empresa que, através de consultas e levantamentos legítimos, procura levantar informações pertinentes a seus clientes. Neste contexto não há, a rigor, nenhum mal em conversar informalmente com jornalistas e outras fontes de informação, o que, em momento algum, pode ser classificado como espionagem. A Kroll nunca espionou membros da imprensa.
Finalmente, gostaria de mais uma vez esclarecer que a solicitação para que fossem retiradas informações e documentos de um processo sob segredo de justiça visa tão somente proteger a privacidade de nossos clientes, visto que se publicaram nomes de empresas e indivíduos que não tinham relação alguma com o caso Telecom.
A Kroll visa simplesmente resguardar dados e informações de seus clientes, e em nenhum momento procurou cercear a atividade jornalística.
Atenciosamente,
Eduardo Gomide
Diretor de Serviços Financeiros da Kroll Brasil






