Entrevista: Ricardo Alves Bastos, presidente da ABA, fala ao MAPA DA MÍDIA
Entrevista: Ricardo Alves Bastos, presidente da ABA, fala ao MAPA DA MÍDIA
Atualizado em 28/03/2006 às 00:03, por
Denise Moraes | Redação Portal Imprensa.
Entrevista: Ricardo Alves Bastos, presidente da ABA, fala ao MAPA DA MÍDIA
A ABA - Associação Brasileira de Anunciantes - acaba de eleger sua diretoria para o biênio 2006|2008.Ricardo Alves Bastos, o novo presidente da associação, falou a IMPRENSA sobre os planos para sua gestão.
Portal Imprensa - Qual a principal importância de uma associação como a ABA no Brasil? (quais são os resultados práticos atingidos pela associação).
Ricardo Alves Bastos - A Associação Brasileira de Anunciantes reúne 280 dos maiores clientes do Brasil, de capital nacional, internacional e público. Juntos e representados pela ABA, respondem por 70% do total de investimentos no mercado publicitário e de comunicação de marketing. Um número expressivo, que faz a entidade ser a principal porta-voz dos anunciantes em nosso país.
A Missão central da ABA é a de valorizar a comunicação como ativo competitivo de negócios e representar o anunciante brasileiro; defender seus interesses comuns e contribuir para a contínua evolução técnica de empresas e profissionais, através do desenvolvimento e recomendação das melhores práticas, inclusive comerciais, aplicáveis.
Essa missão é desdobrada em oito princípios permanentes da entidade, que são a defesa permanente e intransigente da liberdade da comunicação comercial; a promoção do conceito de responsabilidade civil do anunciante e da propaganda; a defesa do principio da auto-regulamentação; a manutenção do permanente diálogo com toda a sociedade; a busca da maior eficácia da comunicação e do aumento de sua rentabilidade; a promoção do conceito de que a marca é o maior patrimônio dos anunciantes; a promoção do conceito de que a reputação é essencial para alcançar e manter o sucesso dos negócios; e o incentivo ao emprego da criatividade de forma ética em todos os aspectos do marketing mix, visando ganho de competitividade nos negócios.
Mantemos 9 Comitês Técnicos, que debatem temas de interesse dos anunciantes, promovem a troca de experiências e emitem pareceres através de documentos de melhor prática. Organizamos um programa anual de eventos (fóruns nacionais e internacionais, workshops e cursos técnicos), com o objetivo de contribuir para a formação de novos profissionais e para o aprimoramento de executivos mais experientes. São mais de 40, realizados em São Paulo e Rio de Janeiro. Também editamos mensalmente a Revista do Anunciante.
Além disso, a ABA representa os anunciantes em entidades como o Conar e Cenp, atua junto aos poderes legislativos e normativos da União, dos estados e dos principais municípios. Internacionalmente, trabalhamos em sintonia com a WFA - Federação Mundial de Anunciantes, à qual somos filiados.
Portal Imprensa - Quais as principais mudanças que serão feitas pela nova diretoria e por que elas ocorrerão?
Bastos - As primeiras novidades são a criação de um novo Conselho e a ampliação e reforços dos comitês multisetoriais.
O novo Conselho de Presidentes será liderado por Phillippe Boutaud, presidente do Laboratório Cristália, e será constituído por mais 7 presidentes ou diretores gerais de empresas associadas à ABA. A missão desse novo órgão é a de estabelecer uma instância de consulta para o Conselho Superior e Diretoria da entidade, tanto para ajudar a definir caminhos e prioridades como para apontar as principais demandas que os líderes máximos das empresas têm para a área de comunicação de marketing e a atividade da ABA.
Os agora denominados Comitês de Melhor Prática terão como função desenvolver o conhecimento de uma disciplina ou atividade específica da gestão, do marketing e da comunicação das organizações. Eles serão integrados por executivos de associadas e por convidados especiais da Diretoria da ABA, da área de agências, veículos e fornecedores especializados. Os Comitês de Melhor Prática serão cinco: Branding, Comunicação por Conteúdo, Recursos Humanos e Gestão do Conhecimento, Responsabilidade Social e Gestão Financeira de Marketing.
Portal Imprensa - O que representa essa mudança de diretoria da ABA em um ano tumultuado para o mercado anunciante como 2006, que terá Copa do Mundo e Eleições?
Bastos - Era o momento estatutário de mudar e não haverá solução de continuidade, apenas uma natural correção de prioridades e o incremento e melhoria das atividades da ABA - uma vez que toda nova diretoria começa em um patamar superior ao da anterior.
Destaco que a política da ABA é a de assegurar continuidade sem continuismo. Isto implica na total liberdade de cada gestão, visando sua renovação permanente dentro de uma linha de conduta que incorpore os anseios da Diretoria, dos Conselhos, dos Comitês e das Associadas da entidade.
Portal Imprensa - Quais serão os desafios dessa nova gestão?
Bastos - Antevejo algumas turbulências para o país e para o mercado durante esta gestão. O ano é eleitoral e o Brasil deverá continuar seus esforços, internos e externos, para se aprimorar como nação democrática e potência econômica. Tudo isso passa pela depuração e aprimoramento dos fundamentos dos processos sociais e econômicos.
Como uma de minhas raízes é a Antropologia, gostaria de lembrar que um dos axiomas científicos da matéria é que as regras são determinadas pela Cultura - e não o contrário. Assim, a evolução social e econômica que vivemos trará novas regras e normas para nossas atividades e a ABA, sem dúvida, responderá a estes novos ditames de maneira coerente e criando novas e positivas possibilidades para todos.
Continuaremos nossa missão de trabalhar para aumentar a performance da comunicação como ativo competitivo das organizações de qualquer tamanho e setor, sejam elas privadas, públicas ou sociais.
Além disso, sempre haverá a disposição pessoal e associativa de colaborar de forma permanente com todas as partes do setor de comunicação. Sempre, como profissional e entidade, estaremos prontos a aumentar a nossa colaboração, sem jamais deixar de sermos firmes na defesa dos direitos e interesses dos Anunciantes.
As questões tão bem enfrentadas pelo meu antecessor, Orlando, continuarão a ser enfrentadas e discutidas. Antevemos a nossa participação firme em questões de máxima importância para o mercado, tais como: a discussão sobre o padrão de TV digital; a equação da questão da obesidade e a discussão sobre propaganda envolvendo crianças; a regulamentação da midia exterior nas grandes cidades; a continuação de nossa luta pela Ética, que foi conspurcada pelas exceções dos Marcos Valérios e companhia, que criaram constrangimento a todos os profissionais da área; o surgimento de novas formas de comunicação e de veículos ainda sem processos de regulamentação etc. etc.
Portal Imprensa - Em seu balanço de 2005, a ABA reconhece que "o tradicional composto de comunicação empregado pelos anunciantes - e ofertado pelo mercado publicitário - vem se alterando de modo significativo, inviabilizando o sistema no qual um único modelo possa satisfazer a todos os casos". É de responsabilidade da ABA desenvolver outros tipos de modelo? Caso sim, há algo em desenvolvimento?
Bastos - É de responsabilidade conjunta da ABA e de todas as partes do mercado de comunicação. A evolução é obrigação comum e está em andamento, mas talvez em um ritmo um pouco lento para a velocidade atual das alterações no panorama do mercado, em termos de competição e comportamento dos consumidores.
Portal Imprensa - Outra do balanço da ABA: "As eleições, que costumavam ser um fator de aquecimento do mercado publicitário e de apreensão em outros setores da economia, provavelmente não irão gerar expressivos aumentos de negócios na propaganda nem maiores sobressaltos junto ao conjunto do mercado". Por que a associação afirma isso?
Bastos - Acreditamos que as verbas político-eleitorais devem diminuir, na esteira dos escândalos que abalaram o País, das novas regras que estão sendo definidas e do maior cuidado dos doadores em fazer suas contribuições.
Do ponto de vista da economia da propaganda, sabemos que existem as limitações legais que impedem certos tipos de gastos durante o período eleitoral, mas diversos governos "anteciparam" seus investimentos - o que fará as verbas governamentais não caírem tanto.
No caso do impacto no conjunto da economia, a maturidade do processo político brasileiro e da gestão da política econômica nos leva a acreditar que não teremos nenhum susto nem tentativas heterodoxas que prejudiquem a estabilidade conquistada. Mas continuamos precisando crescer... e muito.






