Eleições 2006: Cristovam Buarque, Heloísa Helena e o e-mail do Senado

Eleições 2006: Cristovam Buarque, Heloísa Helena e o e-mail do Senado

Atualizado em 31/07/2006 às 19:07, por Raquel Paulino/Redação Portal IMPRENSA.

Eleições 2006: Cristovam Buarque, Heloísa Helena e o e-mail do Senado

Por Duas candidaturas à presidência da República, a de Cristovam Buarque (PDT) e a de Heloisa Helena (PSOL), estiveram em destaque nos noticiários na última semana pelo mesmo motivo: assessores de imprensa sob acusações de uso indevido do e-mail do Senado - vale lembrar que os dois são senadores - para a divulgação das agendas de campanha deles. A lei eleitoral não cita especificamente e-mails ou redes de computadores como recursos de campanha, o que leva à conclusão de que não houve, em nenhum dos casos, crime eleitoral. Os desdobramentos das histórias, porém, foram bastante distintos.

Heloísa demitiu o assessor de imprensa, Índio, sem pestanejar. Disse a brava postulante ao Planalto: "para ter autoridade de condenar a canalhice política, não poderia aceitar esse tipo de coisa". Embora já tenha sido desligado do cargo de assessor de imprensa, ainda existe a possibilidade de Índio continuar ao lado da candidata como assessor de campanha, o que levanta comentários de que a ação foi mais factóide do que uma ação ética. De acordo com o comitê de Heloísa Helena, a decisão deverá ser tomada entre esta e a próxima semana.

Já Cristovam optou por um caminho mais racional. Indagado de sopetão pela reportagem do "Jornal Nacional" sobre qual seria o destino de sua assessora, Neblina Orrico, ele respondeu que pediria que seus advogados levantassem o que podia e o que não podia ser usado em campanha, onde acaba o senador e onde começa o candidato. Em nota à imprensa, assumiu para si a eventual culpa, ressaltando que "a assessora agiu exclusivamente em função de minhas responsabilidades como senador e de minhas atividades de candidato". Apesar do custo do uso do e-mail do Senado ser zero para o Tesouro Nacional, o candidato determinou que a agenda passasse a ser enviada para a imprensa pela rede de seu comitê. A assessora não foi demitida.

Cristovam e Heloísa não usam os carros ou as passagens aéreas a que têm direito como senadores nem para as atividades de suas funções nem para suas campanhas. Enquanto isso, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva faz campanha com a chamada "agenda híbrida": aproveita as viagens oficiais - realizadas a bordo do avião presidencial - para visitar suas obras, falar com a imprensa (o que não era hábito antes de anunciar sua candidatura à reeleição) e fazer filmagens para a TV. Usar o e-mail do Senado é um erro operacional corriqueiro que, uma vez detectado, deve ser abolido. Como o presidente Lula faz campanha cercado de batedores, seguranças e assessores, não tem que passar pelos mesmos "constrangimentos", para a usar a palavra do repórter da Globo que entrevistou Cristovam na semana passada, que seus adversários nanicos.