Diário de Caracas II: RCTV, a encruzilhada de Hugo Chávez

Diário de Caracas II: RCTV, a encruzilhada de Hugo Chávez

Atualizado em 03/04/2007 às 12:04, por Pedro Venceslau e  enviado especial de IMPRENSA a Caracas.

Diário de Caracas II : RCTV, a encruzilhada de Hugo Chávez

Por Pedro Venceslau, enviado especial de IMPRENSA a Caracas Vinte e seis de maio de 2007: nesta data, a RCTV deixará o rol de canais abertos da Venezuela. Sem a concessão renovada, poucas alternativas restarão ao segundo mais popular canal de TV do país.

Especula-se que o Governo Federal esteja disposto a comprar toda a estrutura da emissora para montar um canal público - mais um. A cúpula da emissora, entretanto, não cogita essa hipótese. A saída mais provável é que o canal migre para o cabo. Haveria uma queda significativa de audiência e receita publicitária, mas a emissora seguiria existindo. E batendo forte no governo.

Vanesa Perez Diaz, jornalista especializada em comunicação do diário El Nacional , de Caracas, conta que hoje a emissora mais crítica ao governo é a Globevisión, canal de notícias que está com a concessão garantida por, pelo menos, mais algumas décadas. "De modo geral, as emissoras recuaram nos ataques a Chávez quando ele passou a fazer ameaças de não renovar concessões. A Venevisión, por exemplo, é a única TV privada que consegue entrevistar fontes do primeiro escalão do Governo. Eles eram críticos ferozes, mas se aproximaram do presidente".

Entrar em contato com fontes do Governo Chávez e com dirigentes das emissoras estatais é uma tarefa inglória. Existe uma imensa barreira separando a mídia - tanto nacional quanto estrangeira - das fontes oficiais. Durante todo o mês de fevereiro, tentei, do Brasil, contato telefônico com Willian Lara, o todo-poderoso ministro da Informação de Chávez. Na véspera do embarque para Caracas, finalmente uma resposta oficial: "O ministro não está falando com a imprensa. Não adianta insistir. Estamos com uma extensa lista de pedidos de jornalistas, de vários países. Mas ele não vai falar", informou a secretária do ministro.

Recentemente, Chávez determinou que todas as coletivas do primeiro escalão acontecessem no Ministério da Informação, comandado por Lara. Os ministros estão proibidos de conceder coletivas em qualquer outro lugar. E ponto final. "Os ministros só falam com exclusividade para a Venevisión e com as estatais", diz Vanesa Perez Dias, do El Nacional .

Caminhando pelas ruas de Caracas, encontrei diversas paredes pintadas com as seguintes palavras: " Darle la concesión a la verdad es no renovar la mentira ". O detalhe que chama a atenção é a assinatura da pintura: Ministério da Comunicação e da Informação da Venezuela.

Trocando em miúdos, isso significa que o governo está fazendo uma campanha oficial de descrédito à RCTV. Sem pudor, está gastando verba pública para incitar o ódio da população ao canal que não terá sua concessão renovada. "Aqui na Venezuela é assim. Como é no Brasil?", conclui Vanesa Diaz...