Diário de Caracas: TV estatal venezuelana é trincheira de Hugo Chávez
Diário de Caracas: TV estatal venezuelana é trincheira de Hugo Chávez
Atualizado em 30/03/2007 às 13:03, por
Pedro Venceslau e enviado especial de IMPRENSA a Caracas.
Diário de Caracas : TV estatal venezuelana é trincheira de Hugo Chávez
Por "Fuera RCTV". Esse é o slogan do momento entre os militantes bolivarianistas. No longo caminho entre o aeroporto Maiquetá e o hotel onde estou hospedado, no bairro Sabana Grande, perto do centro de Caracas, pude contar 16 pichações contra a segunda maior emissora privada do país. Para os não iniciados, a RCTV (Rádio Caracas Televisión), que opera no país desde a década de 1950, não terá sua concessão - que vence em maio - renovada pelo presidente Hugo Chávez. Essa decisão detonou uma nova batalha entre o primeiro e o quarto poder na Venezuela.O primeiro passo para compreender a guerra midiática venezuelana foi passar algumas horas em frente à televisão. Depois de poucos minutos contemplando a estatal VTV (Venezuelana de Televisión), transmitida em sinal aberto, senti saudades da Radiobrás comandada por Eugênio Bucci. Nos intervalos comerciais, as ações do executivo são freqüentemente exaltadas. E terminam sempre com algum popular agradecendo: "Gracias, señor presidente!". A vinheta, na seqüência, conclui: "Rumo ao socialismo bolivariano".
Em um programa humorístico, o apresentador Mario Silva, com um boné de Che Guevara e uma foto de Chávez ao fundo, faz piada e rola de rir da RCTV. Mudo de canal e caio em outra emissora "bolivariana", também estatal e com sinal aberto.
Na Vive (Televisión Educativa, Cultural y Informativa), cujo slogan é "comunicação para o socialismo", um grupo de jovens debate a necessidade de se controlar a Internet na Venezuela, como se faz na China. Ninguém no grupo é contra o modelo chinês. E todos acham que "crianças estão sujeitas à pornografia" sem uma Internet controlada. Nos intervalos, Chávez, Chávez e mais Chávez.
Mudo novamente de canal e chego à Telesur, emissora teoricamente de caráter independente e internacionalista. Não é preciso muito tempo para se chegar à conclusão de que se trata de mais uma TV militante. Debates sobre patentes e transgênicos, documentários sobre neoliberalismo e Chávez nos intervalos...
Enfim, chego aos canais privados. Na RCTV, uma novela, depois outra e mais outra. Desisto de esperar o noticiário de fim de noite. Na Globevisión, um debate sobre o novo partido único do governo termina com o apresentador pedindo que os dois debatedores apertem as mãos. Na Venevisión, a Globo venezuelana, a novela "Betty, a Feia" parece não ter fim.






