Diário de Caracas: Fabiano Maisonnave, o único correspondente brasileiro na terra de Chávez

Diário de Caracas: Fabiano Maisonnave, o único correspondente brasileiro na terra de Chávez

Atualizado em 10/04/2007 às 17:04, por Pedro Venceslau e  enviado especial de IMPRENSA a Caracas.

Diário de Caracas : Fabiano Maisonnave, o único correspondente brasileiro na terra de Chávez

Por O jornal Folha de S.Paulo deu um tremendo salto qualitativo em sua cobertura internacional ao enviar a Caracas, como correspondente, o repórter Fabiano Maisonnave. Aos 31 anos de idade, Maisonnave ocupa um posto privilegiado: é o único jornalista de um grande veículo brasileiro vivendo no país de Chávez. Além dele, apenas a jornalista Claudia Jardim, do site Carta Maior, envia, como colaboradora, textos diretos da capital venezuelana.

A decisão da Folha foi maturada ao longo do ano de 2006. O jornal, que há muito tempo namorava a idéia de enviar alguém à Venezuela, estava em dúvida se instalava um correspondente na Bolívia ou em Caracas. Foi a partir da terceira reeleição de Chávez, quando ficou claro qual seria sua agenda política do terceiro mandato, que o jornal paulista decidiu por Caracas.

Maisonnave está há pouco mais de um mês vivendo no país, em um apartamento térreo no arborizado município de Chacao, vizinho à capital. Entre as coberturas de curto prazo, está a não renovação do sinal da RCTV, que sai do ar em 27 de maio, para dar lugar a uma emissora pública de TV. "A mídia é um grande tema na Venezuela. Isso ficou claro no golpe de 2002, quando os quatro grandes canais participaram ativamente do complô (que derrubou o presidente). Com a crise dos partidos tradicionais, a mídia ocupou o lugar dos deles. Virou um campo de batalha política. Dizem que, em 2002, o que houve foi um golpe midiático, cívico e militar. De qualquer forma, Chávez é um presidente midiático, que apresenta ao vivo reuniões de gabinete e faz determinações", conta.

Fabiano Maisonnave foi a escolha natural da Folha para cobrir Caracas. O repórter esteve várias vezes na Bolívia, Haiti, Equador, entre outros países, cobrindo seus principais conflitos. Em Porto Príncipe, capital do Haiti, Maisonnave, junto do fotógrafo Jorge Araújo, cobriu as eleições que mostraram ao mundo a falta de tudo - inclusive de dignidade - a que os haitianos estão submetidos.

O que pouca gente sabe é que Maisonnave não tem formação jornalística. Ele é historiador formado pela USP. Natural de Foz do Iguaçu, no Paraná, em 1998 ele ganhou uma bolsa de estudos para fazer um mestrado em história nos Estados Unidos. Foi durante a temporada no país que começou a colaborar com a Folha .

De volta ao Brasil, em 2001 foi ser correspondente do jornal em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Na ocasião, recebeu duas ameaças de morte ao denunciar uma rede de policiais que apoiava a reeleição do governador Zeca do PT. O clima pesado no estado fez com que o jornalista pedisse ao jornal que o enviasse para sua sede em São Paulo, uma cidade que definitivamente não o agrada. Em 2004, Maissonave foi enviado como correspondente bolsista do jornal em Washington.