Design: Jornal do Brasil e a moda do berliner
Design: Jornal do Brasil e a moda do berliner
Design: Jornal do Brasil e a moda do berliner
Por Tribuna Impressa , de Araraquara: mais um que se rendeu ao novo formato Nos anos 70, o Jornal do Brasil revolucionou o jornalismo brasileiro com a sua reforma gráfica. Era o primeiro jornal, de fato, moderno do país. Nestes últimos meses, a história parece se repetir. Desde a mais recente mudança gráfica do JB , muito foi falado sobre o padrão berliner de jornal. O formato, já adotado por grande parte dos diários europeus, é menor que o tradicional standard (o mesmo da Folha de S. Paulo ) e um pouco maior que o tablóide (do Lance! ), com páginas que medem 47 X 31,5cm. Após a reforma do JB , outros diários também adotaram o novo formato. Parece a antiga brincadeira de "siga o mestre".
No entanto, é preciso avaliar se o mercado nacional de veículos impressos absorveu a idéia de forma positiva ou se tudo não passou de uma euforia gerada pela possibilidade de o Brasil estar aderindo a uma tendência mundial. No que depender dos jornais regionais, fica valendo a primeira opção. Dia 7 de maio, o Jornal de Londrina também passou a circular no novo formato. Para realizar a mudança, o veículo contou com o apoio da equipe do Gazeta do Povo , que, como o JL , pertence à Rede Paranaense de Comunicação.
Além de textos mais curtos, o jornal traz de três a quatro comentários de leitores em cada matéria, resultado de debates e enquetes promovidos no site do jornal. "Por que o conceito de interatividade, dos blogs, não pode ser trazido para o papel?", questiona Cláudia Belfort, que é editora-chefe do Gazeta do Povo e esteve à frente da reforma. O retorno? "Foi muito melhor do que o esperado", diz Cláudia. "Recebemos uma enxurrada de e-mails com opiniões para serem publicadas". Um leitor que anunciou nos classificados do jornal disse que a reestruturação teve dois lados. Ele conseguiu vender o carro muito antes do que poderia imaginar, mas recebeu tantas ligações que quase não conseguiu dormir.
Do jeito que o leitor gosta
Apesar da preocupação com o conservadorismo local, a equipe da Tribuna Impressa , de Araraquara, interior de São Paulo, acabou se rendendo à graça do berliner. "Foi uma ousadia", diz Antônio Pereira de Almeida, diretor-geral do jornal.
Segundo Almeida, o leitor da Tribuna quer muita cor e mais notícias locais. Por esse motivo, a reportagem local aumentou em 40% e a cor em 45%. Para aprovar o novo formato, foram escalados sete grupos de leitores, que analisaram protótipos do mesmo conteúdo em dois formatos diferentes. A aceitação do berliner foi de 90%. Os mesmos leitores sugeriram que o jornal continuasse dividido em cadernos, diferente dos outros veículos que adotaram o padrão. A sugestão foi aceita e o jornal manteve a estrutura de seus sete suplementos dentro do novo formato.
Na redação do Jornal Panorama , das Organizações Globo, em Juiz de Fora, Minas Gerais, também está sendo cogitada a modificação. O jornal encomendou uma pesquisa na Universidade Federal de Juiz de Fora, para avaliar a aceitação do público. "O resultado foi positivo e a proposta está sendo analisada", afirma Antônio Braga, vice-presidente do veículo.
Agradar os leitores não é a única missão dos veículos que optaram pelo formato berliner. Em um ano, a Tribuna Impressa espera, além de duplicar o número de assinantes e vendas em banca, atrair mais anunciantes. "Quem anuncia também quer mais cor", acredita o diretor do jornal. Dalton Pastore, presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), não vê o mercado publicitário como um impedimento para a reforma de um veículo. "Nos tempos do clichê, mudar formato de anúncios seria um problema, mas a tecnologia permite que isso não se torne um empecilho", explica.
A Tribuna investiu também em uma campanha publicitária que divulgará o slogan "Já faz parte da sua vida" em rádios, outdoors e peças de jornal durante três meses. O jornal, que custava R$ 2,50, chegou às bancas com o preço promocional de R$ 1,50.
No JL , os anúncios passaram a ser vendidos em módulos, em vez de centímetros por coluna. Meia página corresponde a vinte módulos. Apenas uma semana após a reforma, a meta de anúncios do mês já havia sido superada. Outra opção do veículo foi a circulação gratuita. Dos 30 mil exemplares, 26 são entregues em residências de classe A/B e os outros quatro mil vão para o aeroporto da cidade e para a Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Pelo menos por enquanto, o sucesso parece garantido. Mesmo assim, Cláudia Belfort, coordenadora da reforma do JL , não se deixa contaminar pelo clima de euforia. "Não podemos subir no salto", diz a editora da Gazeta do Povo . "O desafio agora é continuar produzindo com qualidade, para manter o leitor fiel", afirma. 





