Crônica da Copa: A Copa dos excessos e faltas, por Marco Linhares
Crônica da Copa: A Copa dos excessos e faltas, por Marco Linhares
Atualizado em 28/06/2006 às 16:06, por
Marcos Linhares.
Crônica da Copa : A Copa dos excessos e faltas, por Marco Linhares
PorCentros de imprensa como o de Dortmund só tinham capacidade para 250 notebooks...
Tecnologia de ponta, cordialidade, sorrisos, certa tolerância, isso com certeza não falta na Copa do Mundo da Alemanha 2006. Agora, internet, notebooks, acesso ao "filé"da notícia como o tal "território Fifa" (local de acesso facilitado a jogadores e atrações) peça ao Plim Plim. Só a Globo poderia credenciar. Imagine o interesse deles de abrir espaço aos colegas de outros veículos. Poder e dinheiro mandam. Sobra aos outros, improviso, arrojo, criatividade.
Um colega de uma emissora concorrente me segredou pedindo que não divulgasse o nome ("sabe-se lá o dia de amanhã") que só correndo por fora para mandar algo inusitado.
Personagens aparecem sempre. No hardnews, tudo é abordado, do signos, a média de tamanho do pé dos jogadores. Vai que pé grande dá mais bolha? ...
A Alemanha fez um esforço monumental para atender a todos com cordialidade. Mas esqueceu de incrementar seu estoque de notebooks disponível para aluguel. Deparei-me com alguns colegas cujas máquinas inventaram de pifar... E agora? Consertar, não deu.. Aluguel em Berlim, nem pensar.. A Globo parece ter alugado o estoque da capital alemã.
"A Alemanha fez um esforço monumental para atender a todos com cordialidade. Mas esqueceu de incrementar seu estoque de notebooks disponível para aluguel"
Mas esse nosso texto nada tem contra a emissora dos Marinho, afinal já fui repórter correspondente durante algum tempo do Sportv e nutro grande estima pelos colegas da casa. A vida é assim. Quem pode, pode..
E a trago uma provocação, citando um texto forte, recentemente publicado na Folha, escrito pelo professor da USP, Paulo de Tarso Soares, " (...) a imprensa vive da venda de anúncios cujos preços estão positivamente relacionados com o número de leitores-ouvintes-telespectadores. Vale, então, apresentar a mulher como objeto-sexual, vale explorar a animalidade, vale explorar a ignonrância, incultura, vale elogiar um patriotismo que há muito foi jogado no lixo. Vale tudo para sustentar os negócios futebolístico e midiático. A imprensa esportiva faz parte de um negócio que organiza, com habilidade, a ignorância do que acontece e o esquecimento do que aconteceu. Por baixo do romantismo, da festa, há o predomínio dos negócios, a violência da luta de classes primárias e a hipocrisia de muitos, O elogio do amor ao clube/ seleção legitima negócios (não poucos malfeitos, alguns antiéticos e até legais). O futebol jogado é cada vez mais medíocre. Não há assincronia (conflito) entre os tempos do futebol e da decomposição do capitalismo (...)"
Nesse sentido, entra a cobertura da Copa com furos interessantes. No Brasil assisti antes de viajar que estava muito frio na Alemanha e que o jogo de estréia da seleção de Parreira também não seria fácil em relação ao clima. Comprei casaco. Cheguei e enfrentei mais de 30 graus na moleira... Falaram em vacinação, sarampo, blá blá blá...
Em Atenas, vários repórteres ressaltavam que as coisas estavam caríssimas, e que uma simples garrafa de água mineral custaria mais de 5 euros.. Comprava todos os dias por menos de um euro nas bancas de revista espalhadas pela cidade...
A notícia ganha ar de espetáculo. "Está frio, está caro, está difícil.." E por ai vai, os pobre mortais coleguinhas que não conseguiram embarcar, pensam "que bacana, com tantas dificuldades eles estão com uma equipe desse tamanho". Devaneios...
Uma colega do Correio Braziliense - profunda conhecedora de futebol, diga-se de passagem - segundo soube, no início da cobertura, sofreu. Era muita vontade de ajudar e poucas ferramentas para se trabalhar.
Faltaram ingressos, transparência em certas coisas, e a CBF parece ter sido poupada de vários episódios. Soube das dificuldades de trabalho do Rodrigo Paiva. Tem-se que aprender malabarismos em certas horas..
Até que, em certo momento, Ronaldinho e Lula se trombam. E a cobertura respira. Ganha ares "política". Viva, mais uma polêmica!
A cobertura ganhou ares reais de espetáculo! Atores, atrizes, pseudo personalidades para cima e para baixo tentando se promover... Futebol de menos, veleidades de mais... Ficamos "de Caras"na Copa. Castelos de verdade e de cartas marcadas por cambistas...
Soube que cerca de 300 brasileiros foram detidos com os mais diferentes problemas, desde venda de camisetas em Munique (o que rolou à torto e à direita em Dortmund), até invasões. Senti falta de matéria mais aprofundadas sobre as invasões aos estádios, conheci umas 10 pessoas que conseguiram burlar o sistema de segurança nas três primeiras partidas do Brasil.
Senti falta de matérias sobre as torcidas organizadas na Copa. Faltou falar sobre um site que ajudava a todos a conseguir hospedagem até de graça - o www.host-a-fan.de Foi um grande problema por aqui. Onde ficar. Senti falta de muita coisa. Senti falta de maior acesso aos colegas. Falei com uns 40. Todos reclamaram. Mas preferem o anonimato. Ânimo. Em breve, a Copa será no Brasil.
Termino com uma frase do impagável Nelson Rodrigues: " No futebol, o pior cego é o que so vê a bola". Carpe Diem!






