Crônica da Copa 2: Depois dizem que português é burro..., por Marcos Linhares

Crônica da Copa 2: Depois dizem que português é burro..., por Marcos Linhares

Atualizado em 03/07/2006 às 13:07, por Marcos Linhares e  de Dortmund - Alemanha.

Crônica da Copa 2 : Depois dizem que português é burro..., por Marcos Linhares

Por A imprensa toda lá. Acotovelando-se, querendo o melhor angulo, conseguir ate mesmo a leitura labial do técnico brasileiro. Pela primeira vez, nessa Copa, os brasileiros conseguiram entrar em massa, e tiveram um numero maior no Waldstadion, em Frankfurt. Ate então, muitas camisas verde-amarelas, mas falando alemão, espanhol, inglês e ate mesmo Português de Portugal, opa!

Em Munique, ao levantar-me, um torcedor alemão pediu "que eu me sentasse pois estava atrapalhando a vista e fazendo muito barulho". Pode? (risos)

Bem, que qualquer forma entramos como favoritos. Os bares lotados, os telões espalhados pelas cidades alemãs, idem. Todos ainda sobre o efeito Scolari. Um brasileiro que já tinha feito historia, poucas horas antes do jogo das estrelas. Se ele, ex-técnico dessa seleção, levou Portugal para uma semifinal histórica contra os anfitriões, imagine a seleção com seus milhões em campo.

Esse era o quadro. Tudo na Alemanha prenunciava festa. No jornal Alemão "Bild", comentava-se que o time da Franca também tinha tradição, mas que vinha com jogadores experientes e em fim de carreira, como Zidane. Então, o Brasil tinha tudo a seu favor, a simpatia dos alemães e do resto do mundo, os talentos, a imprensa, enfim, faltava falar isso para a França...

Bem, o resto da historia você já sabe... Perdemos sem esboçar uma digna reação. Passeamos em campo. E a imprensa não mostrou a desolação da torcida de lá, que era nossa...

À porta do estádio vi muita gente chorando. Um colega mexicano, um menininho alemão de uns oito anos, enxugava as lágrimas com a bandeira brasileira. No rosto, a pintura verde amarela, na cabeça um boné, todo vestido de Brasil. Naquele dia, até a alma dele parecia transpirar Brasil.

Seriamos a final perfeita. E os vilões que ate então contrariavam opiniões e interesses, que "peitaram" a todos com suas escalações arrojadas, viraram heróis: Klinsmann e Scolari.

Perdemos para nos mesmos. Lembro de um verso de um poema de Afonso Romano de Santanna, "(...) faltou amor, ao amor?(...)" E o que faltou ao futebol brasileiro? Garra, respeito a tudo que foi depositado neles, como fé, esperança, dignidade? Caímos com a bunda no chão. Numa chapelaria chamada Zidane. Que não se cansou de dar "lençóis" em nossos jogadores.

Os jornais de todo o mundo, com exceção dos Argentinos, como já era de se esperar, não ironizaram nossa derrota. Há mais perplexidade no ar. Um colega inglês viu minha camisa e apertou minha mão com uma frase de consolo: "Vamos pegar o mesmo barco de volta. Nossas seleções deixaram o futebol em casa".

Afinal, que casa é essa? A Inglaterra, a Espanha, a Itália, a própria França? Nossa seleção há muito não tem terra natal. São estrangeiros que vestem o símbolo nacional. Só um ou outro felizardo é chamado às pressas quando tem que substituir alguém, como o jogador "Mineiro" (que nem mineiro é...).

Agora, véspera de jogo de Portugal, um batalhão de jornalistas tupiniquins redescobre a seleção de Felipão. Tinha mais repórteres do Brasil no treino da seleção portuguesa que os da terra de Camões, cerca de 70 contra 26 se não me engano.

Que venham novas surpresas nessa Copa, para os outros. Pois agora a imprensa já deve entrar em clima de eleições.