Crítica e Autocrítica: "Ombudsman não é garantia de bom jornalismo", diz ombudsman da National Public Radio
Crítica e Autocrítica: "Ombudsman não é garantia de bom jornalismo", diz ombudsman da National Public Radio
Atualizado em 03/05/2006 às 18:05, por
Thaís Naldoni/ Redação Portal IMPRENSA.
Crítica e Autocrítica: "Ombudsman não é garantia de bom jornalismo", diz ombudsman da National Public Radio
Por Entre os dias 7 e 10 de maio, acontece em São Paulo a 26ª Conferencia Anual da ONO (Organização de Ombudsmans de Notícias, em inglês). Fundada em 1980, é a primeira vez que a entidade realiza o encontro fora da Europa e América do Norte. Estarão presentes representantes de países como Holanda, França, Turquia, África do Sul, Estados Unidos, entre outros. Jeffrey Dvorkin, ombudsman da National Public Radio e ex-presidente da ONO (o atual é Ian Mayes, ombudsman do jornal britânico The Guardian ) falou ao Portal IMPRENSA sobre a importância do ombudsman para um veículo de comunicação e sobre quais assuntos serão discutidos na próxima conferência. Leia abaixo:Portal IMPRENSA - É a primeira vez que uma Conferência de Ombudsmans é realizada em um país latino-americano. Por que o Brasil foi escolhido?
Dvorkin - Porque na última conferência, em Londres, Marcelo Beraba, da Folha, generosamente se ofereceu para hospedar o encontro. A idéia foi recebida com entusiasmo, em parte porque o interesse no trabalho dos ombudsmans e na ONO está crescendo rapidamente na América Latina. O encontro no Brasil comprova este fato.
Portal IMPRENSA - O que se discute em uma conferência como esta?
Dvorkin - Discutiremos aspectos de interesse comum aos nossos membros. Isto inclui como os jornais, as redes televisivas e as rádios lidam com questões de raça, sexo, as charges de Mohammed e outras "batatas quentes", como a forma de nos relacionarmos com jornalistas, leitores, ouvintes e telespectadores, além do impacto que os blogs e os escritórios de advocacia provocaram no nosso papel de cães de guarda.
Portal IMPRENSA - Qual a importância de um ombudsman em veículos de comunicação?
Dvrokin - O ombudsman não é garantia de bom jornalismo. Mas a existência do cargo indica que as empresas de comunicação cumprem, de maneira séria, suas obrigações para com o público. Um ombudsman também é um indicativo de que estas empresas cestão interessadas na sua credibilidade com a audiência. Este profissional deve exercer duas funções simultaneamente: criar uma atmosfera de transparência e responsabilidade na empresa e elevar os padrões de aptidão literária do público em relação aos meios de comunicação. Há uma desconexão entre jornalistas e o público, no que diz respeito ao papel do jornalismo. O ombudsman tenta encurtar essa distância.
Portal IMPRENSA - Uma crítica negativa de um ombudsman costuma gerar que tipo de impacto nos veículos?
Dvorkin - Um jornal, rádio ou televisão deve manter a reputação de veicular informações confiáveis. Ele pode até ter sua opinião (exposta no editorial), mas é obrigação primária manter a credibilidade com o público. E, uma vez perdida esta credibilidade, fica difícil restaura-la.
Portal IMPRENSA - Há, na sua opinião, resistência dos veículos em contratarem um ombudsman?
Dvorkin - Normalmente, as razões para não se contratar um ombudsman são financeiras. Algumas organizações mais novas, especialmente no Estados Unidos, definiram que, se é necessário escolher entre contratar um repórter ou um ombudsman, optam pelo primeiro. Nós acreditamos que um ombudsman acrescenta tanto ao jornalismo em geral, como à reportagem em si.
Portal IMPRENSA - Este profissional deve ter ligação anterior com o veículo, tendo passado por outras funções?
Dvorkin - Há vantagens e desvantagens em contratar um ombudsman que já trabalhou na empresa, mas acho que as vantagens são maiores. Ele já conhece a estrutura jornalística da organização, enquanto alguém que vem de fora pode levar um tempo para alcançar este conhecimento. Por outro lado, o profissional que nunca passou pela empresa chega com idéias novas, frescas, e traz um olhar de fora sobre a conduta e as decisões da organização.






