Crítica: Em sua primeira coluna, novo ombudsman da Folha classifica jornal como "previsível"
Crítica: Em sua primeira coluna, novo ombudsman da Folha classifica jornal como "previsível"
Atualizado em 09/04/2007 às 12:04, por
Thaís Naldoni/Redação Portal IMPRENSA.
Crítica : Em sua primeira coluna, novo ombudsman da Folha classifica jornal como "previsível"
Por No último domingo (08/04), a Folha de S. Paulo publicou a primeira coluna de seu novo ombudsman , Mário Magalhães. No texto, o jornalista - que tem mandato de um ano, renovável por mais dois - criticou a previsibilidade dos jornais. "O jornal previsível pode ser o triunfo ou a desgraça".Segundo ele, nos últimos anos, a Folha se fez mais previsível no sentido jornalístico indesejável. "A aparente falta de ousadia ocorre em momento no qual os chamados jornais brasileiros de prestígio se assemelham. Os concorrentes mimetizaram inovações que a Folha introduziu com sucesso", disse Magalhães.
O jornalista finaliza sua primeira coluna, garantindo que, como ombudsman , sintetizará da melhor maneira possível o interesse dos leitores, mas reconhece que o jornal, embora distante do ideal, vem se preocupando em se corrigir mais e mais rápido. "Hoje a Folha reconhece seus erros mais vezes e com mais rapidez do que antes de ter um ombudsman . É pouco: respeitar o leitor é, sobretudo, informar com correção".
Ao Portal IMPRENSA, Mário Magalhães concedeu uma entrevista exclusiva no último dia 05/04, seu primeiro dia de mandato. Nela, o jornalista analisa rapidamente sua nova função e conta quais as mudanças imediatas que ela trará para sua vida. Acompanhe.
IMPRENSA - Você foi pego de surpresa com o convite de ser o ombudsman da Folha de S.Paulo ? Como foi a negociação?
Mário Magalhães - Sim, o convite foi uma surpresa. Recebi-o do diretor de Redação, Otavio Frias Filho. Cinco dias depois, respondi, aceitando-o.
IMPRENSA - O que espera desta nova função?
Magalhães - Ser útil aos leitores na missão de defender os seus interesses.
IMPRENSA - Por sua experiência, o ombudsman ainda é uma figura temida nas redações, como era na época de Caio Túlio Costa, pioneiro na função?
Magalhães - Não se trata de temor, creio. O que há hoje é uma relação mais madura e tolerante. Em 1989, quando Caio Túlio Costa assumiu como ombudsman, os jornalistas tinham mais dificuldade em identificar no ombudsman o advogado dos leitores. Muitas vezes, erradamente, tomavam suas críticas como ataques pessoais.
IMPRENSA - A vida de ombudsman é mais ou menos puxada que a de um repórter especial? O que muda na sua rotina?
Magalhães - Hoje (quinta-feira, 5 de abril de 2007) é meu primeiro dia como ombudsman . É difícil responder. Aparentemente, tanto o ombudsman como o repórter têm que suar muito para exercer satisfatoriamente as suas funções. Pessoalmente, uma mudança imediata é que tenho de dormir menos tarde e acordar muito mais cedo, para ler os jornais.
IMPRENSA - Como funcionam os fechamentos do ombudsman ? Há, além da coluna semanal, uma crítica interna diária...
Magalhães - A coluna dominical fecha com o jornal de domingo, pois sai no caderno Brasil. As colunas diárias fecham por volta das 14h, quando são postas na do ombudsman na .
IMPRENSA - Quanto à projetos paralelos à Folha , é possível conciliar as coisas?
Magalhães - Sim, com planejamento e suor redobrado.
IMPRENSA - Na sua opinião, por que existem ainda tão poucos ombudsmans na imprensa brasileira?
Magalhães - O motivo fundamental, desconfio, é que muitas direções de Redação temem no trabalho independente do ombudsman um questionamento às suas gestões. O segundo é que é um cargo que sai caro, em uma época de cortes nas Redações. E o terceiro é que algumas publicações resistem ao ombudsman com medo de parecer "imitadoras" dos pioneiros na sua implantação. E há, claro, quem julga dispensável a função.
IMPRENSA - O Marcelo Beraba, durante seus mandatos, teve uma atuação muito efetiva dentro da Organização de Ombudsmans de Notícias. Você pretende continuar essa relação?
Magalhães - Sim, inspirado na atuação do Beraba.
Para acessar o site do ombudsman da Folha de S.Paulo , .






