Crise aérea: Infraero critica cobertura da mídia
Crise aérea: Infraero critica cobertura da mídia
Crise aérea: Infraero critica cobertura da mídia
Por "Caos", "Crise" ou "Apagão aéreo". Não importa o nome que leve, o problema dos atrasos nos vôos e lotação dos aeroportos é notícia, há quase dez meses, nos principais sites, jornais impressos e telejornais do país. O setor aéreo começou a chamar a atenção da mídia em setembro de 2006, quando um Boeing da Gol caiu na Serra do Cachimbo, matando 154 pessoas. Em 27 de outubro, os aeroportos brasileiros começaram a registrar atrasos em pousos e decolagens. Em novembro, foi a vez de o problema com os controladores de vôo vir à tona.
A partir de então, quase todos os ângulos da crise foram notícia. Do sofrimento dos passageiros às declarações oficiais. No entanto, a cobertura da mídia não tem agradado a todos. Um dos descontentes é a Infraero - empresa pública vinculada ao Ministério da Defesa, que administra os aeroportos do Brasil - órgão citado na maioria das reportagens que saem sobre o assunto.
Para o Superintendente de Comunicação e Marketing da Infraero, Sérgio Faria, o maior problema da cobertura da mídia é a desinformação dos repórteres. Segundo ele, falta informação sobre quais seriam as reais atribuições de cada órgão, o que gera confusão e publicação de informações equivocadas nas matérias.
"Os jornalistas são muito desinformados e cometem uma série de erros. Às vezes eu explico para o repórter como funcionam as coisas e alguns aprendem. Mas, como várias pessoas cobrem o assunto, o defeito renasce. A imprensa, muitas vezes, fala sem conhecimento de causa", disse ele.
De acordo com Faria, o problema do setor aéreo atualmente concentra-se em dois fatos: a má distribuição da malha aérea e o controle dos vôos. Sendo assim, a Infraero, que controla os prédios dos aeroportos, não tem influência nos atrasos e, segundo ele, é culpada injustamente.
"A Infraero cuida da estrutura física dos aeroportos. A ANAC [Agência Nacional de Aviação Civil] é o órgão responsável pelo controle legal e gestão do sistema de conexões e malha viária. A Aeronáutica cuida do controle aéreo. Então, muitas vezes, somos também vítima e aparecemos como o cerne do problema na imprensa", explicou.
Outra crítica feita por Faria trata do volume de notícias que saem sobre o assunto na imprensa. Para ele, há um certo exagero, tanto no número de matérias, quanto na forma como o problema é tratado. "Os jornalistas não têm senso crítico com o leitor. Sempre nos ligam perguntando o volume de atrasos, mas dão a notícia com outros critérios de aferição, criam seus próprios critérios. Há muito sensacionalismo", disse.
Faria citou como exemplo deste "sensacionalismo" os recentes desdobramentos da crise. Segundo ele, há algumas semanas não há mais nenhum problema com os controladores de vôo e os atrasos causados desde então estão relacionados ao clima, que não estaria propício para vôo. "Como juntou tudo, as pessoas pensam que é intencional [o atraso]. Estamos há três semanas sem problemas com controladores. O fato é que São Pedro resolveu não ajudar", explicou.
Apesar das críticas, o superintendente de comunicação ressaltou que a Infraero sempre esteve aberta e disposta a dar entrevistas e prestar esclarecimentos à imprensa.
Na pauta
Na tarde desta sexta-feira, o Portal G1 traz em sua home notícia sobre a prisão do presidente da Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo (ABCTA), Wellington Rodrigues. Na última terça-feira (03/07), a ombudsman do UOL, Tereza Rangel, condenou a lentidão na atualização de notícias referentes ao caos aéreo. Na ultima quinta-feira (05/07), o jornal Folha de S.Paulo trouxe quatro matérias relacionadas ao setor. O jornal O Estado de S.Paulo também noticiou, nesta semana, os desdobramentos da crise.






