Coletiva: Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo:

Coletiva: Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo:

Atualizado em 15/05/2007 às 16:05, por Lucas Krauss / Redação Portal IMPRENSA.

Coletiva: Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo :

Por Encerrada no início desta tarde, a entrevista coletiva concedida no Salão Oeste do Palácio do Planalto, em Brasília, pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, deixou nos jornalistas a sensação de "quero mais".

Considerada essa patente impressão, não tão incomum numa profissão genuinamente sedenta por respostas, o fato é que o formato da entrevista, sem réplicas formais, não agrada a maioria dos jornalistas.

Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo , um dentre os quinze profissionais sorteados para fazer perguntas, fala ao Portal IMPRENSA sobre o formato da entrevista, sobre as questões não respondidas e diz que, "quando foi permitida uma ou outra réplica, os olhares atentos da assessoria causavam um certo stress para sair logo do microfone".

IMPRENSA: Qual a avaliação que você faz da coletiva de imprensa que o presidente concedeu hoje?

Fernando Rodrigues: Neste tipo de entrevista coletiva, que é tão raro, cada jornalista costuma fazer uma pergunta, para contemplar o maior número de assuntos possíveis. Cada um faz uma pergunta diferente para não cair nas mesmas respostas e para algum assunto não ficar de fora. É um problema, evidentemente, porque, neste formato, sem réplicas, tréplicas, não há profundidade. Apesar de a entrevista de hoje ter sido longa. Nos países onde há, com maior regularidade, entrevistas coletivas do presidente, são escolhidos determinados temas. Não chega a ser monotemático, mas os assuntos são mais bem explorados. Infelizmente, no Brasil, não temos essa tradição. Não por culpa da imprensa, mas dos governos, que sempre se negaram a utilizar com freqüência este formato de entrevista.

IMPRENSA: Essa foi a sensação geral dos jornalistas, de que faltou alguma coisa?

Rodrigues: Não só hoje. Isso sempre acontece. Fica sempre a impressão de que algo poderia ser mais bem explorado, de que faltaram algumas perguntas, alguns assuntos, e isso é compreensível. Sempre conversamos (jornalistas) depois da entrevista sobre determinadas perguntas que poderiam ter sido feitas com outro enfoque ou ter abordado algum assunto que faltou. Essa é a vantagem da réplica. Após uma pergunta, o presidente responde e o mesmo jornalista, ou algum outro, pegando o gancho, pergunta novamente sobre o mesmo assunto, para que ele seja mais aprofundado.

IMPRENSA: O Presidente chegou a sinalizar alguma outra entrevista coletiva à frente?

Rodrigues: Não. Não falaram nada. Essa que foi feita hoje, há meses eles vinham prometendo e foi realizada depois de muito tempo. Uma outra entrevista coletiva, só acredito vendo.

IMPRENSA: E como o presidente se saiu? Ele estava à vontade ou um pouco nervoso?

Rodrigues: Tranqüilo. O presidente Lula é um político muito esperto, muito experiente. Ele conversa com a mídia há mais de trinta anos. Evidente também, que ele não tinha à frente algum assunto mais delicado, como, por exemplo, na época áurea do escândalo do mensalão, que era um assunto mais difícil de ser tratado. Dessa vez, os assuntos em voga eram mais sobre administração pública. O que não considero assuntos mais tranqüilos ou menos importantes. Esse governo continua com muitos defeitos e muitos assuntos devem ser melhor respondidos.

IMPRENSA: Teve algum ponto alto na entrevista? Alguma pergunta mais delicada, que ele tenha se enrolado?

Rodrigues: Não teve ponto alto. Talvez o fato em si, de ele ter dado uma entrevista coletiva. É sempre melhor, porque, assim, podemos ver suas posições de forma mais clara, as respostas mais bem organizadas. Bem diferente de quando ele dá uma entrevista respondendo a duas, três perguntas, quando sai de algum evento ou algo do tipo.

IMPRENSA: Ele deixou de responder alguma pergunta?

Rodrigues: Deixou de responder várias da forma como gostaríamos. Ele é político. Não respondia de maneira completa muitas perguntas. Por exemplo a questão do aborto, em que ficou claro que ele pessoalmente é contra, mas como homem de Estado acha que é um caso de saúde pública. Poderemos, portanto, ter alguma mudança com relação ao assunto. Tudo bem, mas não disse qual a alteração na legislação que poderá ser feita ou qualquer ação efetiva do governo. E sobre o caos aéreo, ele não responde nada, diz que está tudo sob controle, que o governo tomou e está tomando as devidas providências. Nem com a réplica ele respondeu.

IMPRENSA: Mas teve, então, alguma réplica?

Rodrigues: Os jornalistas fizeram algumas réplicas, mas nada com maior extensão. Foi permitida uma ou outra, dependendo do caso. Elas acabaram sendo um pouco "telegráficas" e, com os olhares atentos da assessoria, sentia-se um certo stress para sair logo do microfone.

* * *

Segundo já havia acordado o ministro Franklin Martins, o presidente respondeu a 15 perguntas, feitas por seis jornais que fazem cobertura do Planalto e seis emissoras de TV. Todos os veículos foram decididos em sorteio realizado na última segunda-feira (14) e a ordem das perguntas foi decidida hoje pela manhã.

Ainda mediante sorteio, foi determinada autorização a um representante das emissoras de rádio, um de uma revista de circulação nacional e um correspondente estrangeiro, que também fizeram perguntas ao presidente.

Confira abaixo a ordem das perguntas e seus respectivos veículos e jornalistas representantes:

1) Martha Correa, TVJB

2) Celso Teixeira, TV Record

3) Sandro Lima, Correio Braziliense

4) Luciana Verdolin, Jovem Pan

5) Luíza Damé, O Globo

6) Guilherme Menezes, SBT

7) Leandro Fortes, CartaCapital

8) Paulo de Tarso, Valor Econômico

9) Jorge Svartzman, Agência France Presse

10) Marcos Roberto Silva, Rede TV

11) Fernando Rodrigues, Folha de S. Paulo

12) Fábio Pannunzio, Band/BandNews

13) Zileide Silva, TV Globo

14) Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

15) Carla Corrêa, Jornal do Brasil