Coleguinhas: Amaury Jr., arqueólogo de fofocas

Coleguinhas: Amaury Jr., arqueólogo de fofocas

Atualizado em 08/12/2005 às 18:12, por Thaís Naldoni / Redação Portal IMPRENSA.

Coleguinhas : Amaury Jr., arqueólogo de fofocas

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O jornalista e apresentador da Rede TV! Amaury Jr. mesmo quando está em casa, descansando do trabalho, não tira os olhos das celebridades. Em seu tempo livre, Amaury - que na noite de ontem lançou o livro "Bisbilhotices", pela editora Jaboticaba - se dedica a uma grande coleção de DVDs e VHS.
Amaury falou à IMPRENSA não só sobre esta coleção, mas também sobre as curiosidades sobre a vida dos ex-presidentes do Brasil, que renderam um capítulo de seu livro. Acompanhe.

IMPRENSA - Desde quando coleciona DVDs. Por que?
Amaury Jr. -
Bem, minha coleção começou em VHS na década de 80. Salvo engano, fui dos primeiros a receber um aparelho de videocassete, antes mesmo da novidade entra pra valer no mercado. Foi uma amiga, Cila Monteiro da Silva quem me trouxe dos Estados Unidos. Era inacreditável que a gente pudesse, num toque, gravar tudo o que passava na tevê. Fui obrigado a fazer reuniões em casa porque todos meus amigos queriam ver e entender o equipamento. Resumo da ópera: tenho cerca de 4.000 fitas em VHS, 1.200 LDS( que antecedeu o DVD) e mais de 5 mil DVDs.
Sempre fui apaixonado por edições, tanto que meu passatempo predileto é fazê-las, domestica e profissionalmente. Por exemplo: reuni em 10 minutos as cenas mais engraçadas de todos os filmes de Peter Sellers. Ficou ótimo.

IMPRENSA - Qual assunto mais interessa a você?
Amaury Jr. -
Hoje estou interessado mais em documentários do que em filmes. Como viajo bastante, graças às obrigações do meu programa na tevê, sempre sobra um tempo para um garimpo. O Nelsinho Motta me deu dicas incríveis de como achá-los em Nova York.
Conheço um produtor em Paris cujo negócio é localizar tudo que tenha sido filmado (ou gravado) de relevante na Europa. São tantos títulos interessantes que minha casa virou uma videolocadora. É todo mundo pedindo emprestado esse ou aquele. A diferença de uma videolocadora é que ninguém paga nada, mas fui obrigado a criar umas fichinhas para anotar qual DVD está com quem. Tenho ciúmes de todos eles. A única condição é VV - vai e volta. Quer uma dica? O José Wilker também tem uma coleção preciosa, mas só de filmes. Tudo catalogado, quem foi o diretor, atores e até coadjuvante. O Wilker não é ótimo e excepcional comentarista de cinema por acaso. O Ruben Ewald Filho também é dono de uma coleção respeitável.

IMPRENSA - Onde está guardada a coleção?
Amaury Jr. -
Desde setembro preparei duas salas na rua Batatais em São Paulo só para abrigar o acervo. E agora estou contratando uma arquivista profissional para catalogá-los com mais informações. Vou colocar lá também meus LPs. São uns 2 mil.

IMPRENSA - Do que se trata a varredura sobre a vida dos presidentes, presente em seu livro recém lançado "Bisbilhotices". Quando começou e por qual motivo?
Amaury Jr. -
Não é uma varredura. Achei que informações como o romance do Marechal Deodoro da Fonseca, nosso primeiro presidente, com Adelaide - que tinha 22 anos - valiam a pena ser investigadoras. Era a fofoca da época. Depois descobri que aquele olhar arregalado de Collor nos jornais tanto usaram para sugerir que ele fosse tresloucado ou drogado, tinha uma razão: Collor é praticamente cego de um olho, o que o obriga a compensar a visão arregalando-os.
O apelido de Campos Salles era pavão, tamanha sua preocupação com sua aparência.
Cheguei à conclusão que se preocupava mais com o cavanhaque, que aparava diariamente nas barbearias, do que com o Brasil. Ficou um capitulo saboroso no livro.
Geisel foi um grande garfo e sua saúde cobrou uma taxa por isso. Fiquei pensando quantas decisões não podem ter sido apressadas por alguma dor que o incomodava freqüentemente. A musica que Emilinha Borba cantava para Getúlio é um "potin" à parte e não aparece em nenhuma biografia. A musica terminava com um refrão que ele vibrava - "Tão pequenino com tambor tão grande. Tão pequenino com tambor tão grande". Vargas tinha complexo de sua altura, mas Emilinha levantava sua moral falando de seu tambor.