Cobertura da Copa: Pouca bola, muito salsichão

Cobertura da Copa: Pouca bola, muito salsichão

Atualizado em 06/06/2006 às 12:06, por Pedro Venceslau/Redação Portal IMPRENSA.

Cobertura da Copa : Pouca bola, muito salsichão

Por Falta assunto e sobra espaço na cobertura da véspera da Copa do Mundo

O batalhão de jornalistas da Globo na Alemanha não está pautado para cobrir a Copa da Mundo. O foco da emissora está na participação do Brasil na competição. Pelo menos nos dias de preparação entre a Suíça e a Alemanha, a overdose de reportagens sobre língua, comportamento, cerveja, salsichão e turismo nas cidades que receberam a seleção mostra que existem jornalistas demais e pautas de menos.

De Konigstein, Fátima Bernardes apresenta, em interminável reportagem para o "Jornal Nacional", todos os segredos da pequena cidade que vai abrigar a esquadra brasuca por alguns dias. Na sequência, Christiane Pelajo fala sobre a culinária local, com ênfase para os chocolates - segundo ela, que experimentou vários - são iguarias. Ainda na minúscula Konisgtein, a repórter Glenda Kozlowsky dá aulas de alemão. "Tor = gol".

No desembarque do Brasil na Alemanha, Tadeu Shimidt conclui o óbvio: "Todos querem Ronaldinho Gaúcho". Durante quase todo o "Jornal Nacional" essa é a toada da cobertura produzida pelos 160 jornalistas globais espalhados pela Alemanha. Depois de uma enxurrada de reportagens sem a menor importância, finalmente Pedro Bassan e Renato Ribeiro, que mudou-se para Alemanha há um ano para cobrir o clima da Copa, apresentam pequenas reportagens sobre as seleções que enfrentarão o Brasil na primeira fase. E só.

Para Argentina, Itália, Inglaterra e o resto do mundo sobram alguns minutos aqui e acolá, salpicados entre uma e outra reportagem sobre salsichão, bolhas nos pés de Ronaldo, caipirinha e aulas de alemão. "Há momentos em que é evidente que não há notícia para tanto espaço, principalemente nesse período de preparação, antes da bola rolar para valer", avaliou Marcelo Beraba, ombudsman da Folha de S.Paulo , em sua coluna do último domingo. Em tempo: esse preciso diagnóstico de Beraba foi feito sobre a cobertura da Folha , que também optou pela overdose, mas cai como uma luva para a cobertura global.

A maior cobertura da história

A Copa do Mundo de 2006 será o evento mais difundido na história do esporte. Informa a FIFA, que na Alemanha haverá 20 vezes mais jornalistas que jogadores de futebol. São 15 mil profissionais, entre fotógrafos, editores, radialistas, cinegrafistas, produtores, assistentes, estagiários. Segundo o Estadão , o número de jornalistas escalados para a Copa de 2006 supera o de profissionais que cobriram a agonia e a morte do Papa João Paulo II, no ano passado. Pelas estimativas da Fifa, a audiência acumulada do Mundial chegará a 30 bilhões de pessoas. Em 2002, foram 28 bilhões. Especialistas ouvidos pelo Estadão acreditam que cada um dos 64 jogos da Copa será acompanhado por cerca de 500 milhões de pessoas.

Números da Copa

- 700 representantes da imprensa foram cadastrados para cobrir os treinos do Brasil em Weggis, na Suiça.

- 6 cadernos especiais foram produzidos pela Folha de S.Paulo antes do começo da competição. O jornal enviou 17 profissionais para Alemanha. Na Copa da Coréia foram 12, na França, 26.

- 21 jornalistas foram enviados pelo jornal O Globo .

- 65% dos jovens asiáticos entrevistados por um jornal japonês vão assistir a Copa pela Internet

- 1954 foi o ano em que aconteceu a primeira transmissão de uma Copa do Mundo.