CNN.com: "O que estamos fazendo é melhorar a experiência do público quando procura por notícias na Internet", diz Kurt Muller

CNN.com: "O que estamos fazendo é melhorar a experiência do público quando procura por notícias na Internet", diz Kurt Muller

Atualizado em 13/06/2007 às 18:06, por Nathália Duarte / Redação Portal IMPRENSA.

CNN.com : "O que estamos fazendo é melhorar a experiência do público quando procura por notícias na Internet", diz Kurt Muller

Por Há mais de oito anos na CNN, Kurt Muller é o típico profissional que veste a camisa da empresa para a qual trabalha e que confia na importância dos projetos que desenvolve. Editor-chefe do CNN.com desde 2002, Kurt é atualmente responsável pelo planejamento editorial do site e pela coordenação de projetos especiais e multi-plataformas entre o site e seus escritórios internacionais.

Em São Paulo para o 1º Seminário de Jornalismo Online, o MediaOn, Kurt Muller conta, em entrevista exclusiva à equipe do Portal IMPRENSA, sobre os novos projetos para a CNN.com.

IMPRENSA - A partir de julho deste ano, a CNN.com disponibilizará seu conteúdo jornalístico gratuitamente, através do projeto Pipeline Moving . Dentro deste projeto, qualquer internauta poderá editar e opinar sobre o material do site, o que chamamos no Brasil de "Jornalismo Cidadão". Como se dá essa tendência nos EUA e como você avalia a contribuição efetiva do internauta no conteúdo do site?
Kurt Muller -
Nos EUA há uma movimentação geral da indústria de comunicação para possibilitar essa interatividade. No nosso caso, além de apostar na tecnologia do vídeo, nós estamos mudando o modo de apresentar a notícia, integrando o vídeo à história que está sendo contada. O internauta pode enviar o vídeo e mostrar um diferente ponto de vista da história. Como no caso do massacre do estudante de Virgínia, nós mostramos um vídeo de um internauta que estava lá e filmou com seu celular. Então nós temos nossa equipe de reportagem e jornalismo, mas contamos também com o material enviado por nossos internautas.

Há inclusive a possibilidade de exibirmos os vídeos dos internautas na televisão, como no caso deste massacre, assim que recebemos o vídeo e verificamos sua veracidade através do trabalho de nossos correspondentes, o conteúdo estava sendo exibido simultaneamente na CNN Internacional e no CNN.com

IMPRENSA - Estamos falando em convergência de mídias. No caso da CNN.com, ao disponibilizar o conteúdo da TV na Internet, você não considera que haja o risco de uma mídia ofuscar a outra?
Muller -
Não porque nós trabalhamos juntos com a televisão. Uma mídia não substitui a outra porque algumas notícias têm muito mais impacto na televisão do que têm na Internet então, o que nós fazemos, é propiciar abordagens diferentes. Somos indivisíveis da CNN Internacional, temos focos diferentes mas trabalhamos para contar a história da maneira mais efetiva. O que acontece, muitas vezes, é que na Internet o conteúdo continua disponível caso o internauta deseje assisti-lo novamente, enquanto na televisão, se uma matéria é ao vivo, isso não acontece. No CNN.com nós temos também notícias ao vivo, mas funciona de maneira diferente, porque são matérias específicas.

A Internet não proporciona a mesma experiência do que a televisão, portanto, o que estamos fazendo é apenas melhorar a experiência do público quando procura por notícia na Internet.

Não há desvantagens nessa convergência. A televisão nos faz mais fortes e nós fazemos a televisão mais forte porque trabalhamos juntos.

IMPRENSA - No Brasil, os veículos de internet recebem apenas 2% do bolo de investimentos publicitários. Como se dá essa questão nos EUA?
Muller -
Atualmente, o investimento em Internet está crescendo muito rápido. Há uma procura muito grande pela mídia de forma geral. Acredito que assim como nos EUA, a tendência é que os anunciantes em Internet cresçam no mundo todo em pouco tempo. Duas pesquisas, independentes da CNN, que foram realizadas no ano passado pela Jupiter Research e pela Veronis Suhler Stevenson, apontam que o investimento em publicidade deve ultrapassar os 1,6 milhões de dólares até 2010.

Além disso, o que temos presenciado é que a grande maioria dos clientes anuncia na televisão e na internet, querem ambos o veículos, querem estar em todos os lugares e aproveitar a tecnologia para isso.

IMPRENSA - Você acredita que a Internet acabará se tornando o principal meio de obtenção de informações?
Muller -
Acredito que esse ainda é um processo que estamos vivendo. Não se tem ainda a direção certa para onde vamos caminhar e acredito que temos muitos anos para passar por esse processo. Assim como o vídeo, nós temos gráficos então apresentamos uma combinação de fatores que atrai o internauta. Além disso, a maneira como contamos histórias na Internet envolve o internauta, ele participa da construção da notícia.

Uma grande vantagem é que nós trabalhamos em conjunto com a CNN e é isso que no permite abordar o fato de uma maneira diferente.

IMPRENSA - E qual você acha que será o fim dos veículos impressos? Jornais impressos estariam obsoletos?
Muller -
Ao menos nos EUA, eu acredito que os jornais impressos continuarão tendo fortes razões para manter seu espaço. Eles estão mudando, a maioria deles está se tornando mais local, regionalizado, e o que está acontecendo com eles também acontece com a web. Eu, pessoalmente, adoro jornais mas sou fascinado por contar histórias de maneiras mais efetivas e, através disso, conseguir alcançar pessoas e engaja-las. A Internet permite que isso aconteça de maneira mais fácil porque a relação entre o texto e o vídeo instiga a emoção das pessoas.

IMPRENSA - Em meia a tantos sites diferentes disponíveis na rede, como tornar o CNN.com atraente para os internautas e para os anunciantes?
Muller -
Uma das inovações na qual estamos apostando é na transmissão de informação através de vídeos. Nossa audiência Online quer estar envolvida no processo da notícia. Por meio dos blogs e dos comentários que os internautas fazem, nós damos a eles a chance de participar e recontar a história de outro ponto de vista. Acreditamos que nossos internautas terão uma visão dos fatos diferente da nossa e, como não somos os únicos a disponibilizar notícias na Internet, queremos facilitar a vida de nosso internauta para que ele encontre especificamente aquilo que é do seu interesse.

Quando as notícias vão para muitas partes do mundo, no caso da CNN. Com internacional, tomamos o cuidado de regionalizar o que oferecemos. Neste caso, o conteúdo é exatamente o mesmo, porém apresentado de um modo diferente. Destacamos as histórias que interessam especificamente àquela cultura.

Nós não tememos que nossos internautas naveguem por outros sites, queremos, pelo contrário, que eles tenham ótimas experiência com a Internet e que, através disso, voltem ao CNN.com. Não importa de onde virá a informação, nós queremos facilitar o acesso a ela.

IMPRENSA - Qual a importância, para o CNN.com, de uma parceria com a empresa Internet Broadcasting, que é a maior rede de TV´s para internet dos Estados Unidos?
Muller -
Essa parceria é fundamental porque nos oferece estrutura para estar em lugares distantes e nos ajuda a noticiar os fatos que queremos noticiar.

Se nossa equipe, sozinha, quisesse explicar ao internauta por que determinada notícia é, de fato, importante ou se quiséssemos noticiar todos os fatos, isso levaria muito tempo, um tempo do qual não podemos dispor. Então, a IBS nos ajuda a estar em lugares em que não estamos fisicamente e até a publicar notícias locais, mais regionalizadas, que interessem ao nosso internauta.