Censura: Imprensa proibida de assistir a julgamento do caso Gongadze

Censura: Imprensa proibida de assistir a julgamento do caso Gongadze

Atualizado em 27/01/2006 às 10:01, por Gustavo Girotto / Redação Portal IMPRENSA.

Censura: Imprensa proibida de assistir a julgamento do caso Gongadze

A juíza Irina Grigoryeva da Ucrânia proibiu a imprensa de assistir às audiências dos três réus e dos agentes de segurança do governo acusados pelo rapto e assassinato do repórter Gyorgy Gongadze.

A decisão da juíza foi classificada pela Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) como "censura política e judicial das provas que implicam altos funcionários na morte do jornalista ucraniano". A opção da magistrada foi tomada depois que o advogado de Nikolai Protasov, um dos agentes da polícia acusado da morte de Gyorgy Gongadze, ter dito que a doença súbita do seu cliente - que levou a um adiamento do julgamento por duas semanas - foi causada pela presença da imprensa na sala do tribunal.

Além dos três ex-agentes da polícia que são réus neste processo - Valery Kostenko, Nikolai Protasov e Aleksandr Popovych -, existem suspeitas de envolvimento de altas figuras do Estado, como o ex-presidente Leonid Kuchma, o antigo ministro do Interior Yuri Kravchenko, o porta-voz parlamentar Vladimir Litvin e o antigo chefe dos serviços de segurança Leonid Derkach, como mandantes do crime.

Essas suspeitas baseiam-se em cassetes de um ex-guarda-costas presidencial e, segundo a FIJ, são "demasiado explosivas para serem mantidas em segredo", pelo que o assunto "deve ser averiguado num tribunal aberto", de modo a que seja feita justiça a Gyorgy Gongadze.