Caso Tyson: "Pensei que ele ia me matar", diz Carlos Mello, do SBT, que foi agredido por Tyson

Caso Tyson: "Pensei que ele ia me matar", diz Carlos Mello, do SBT, que foi agredido por Tyson

Atualizado em 10/11/2005 às 14:11, por Pedro Venceslau e  da redação.

Caso Tyson : "Pensei que ele ia me matar", diz Carlos Mello, do SBT, que foi agredido por Tyson

Por
Como é dura a vida dos repórteres notívagos. Carlos Mello, do SBT, trabalha das 22h às 6h da manhã todas as noites. Quando ele chega na emissora, está todo mundo indo embora. Antes de partir para a rua, faz uma rodada de ligações para delegacias, fontes e assessores para preparar a agenda da noite.

O expediente da última madrugada foi especialmente agitado. Mello, que é vídeorrepórter e trabalha sozinho capturando imagens, foi escalado para grudar no ex-pugilista Mike Tyson durante seu giro pelas boates paulistanas. Ao seu lado, outros quatro notívagos fotógrafos foram parar na boate Bahamas, com a missão de conseguir um registro para os cadernos de entretenimento e esporte do dia seguinte.

Tudo ia bem, até Tyson perder a cabeça. "Ele estava sentado no sofá, sozinho. Não estava fazendo nada demais. Eu estava em uma escada, a uns dez metros, com a câmera no colo. Os outros fotógrafos estavam um pouco mais atrás, na parte de baixo. Aí, ele (Tyson) viu a câmera no meu colo, veio para cima, me prensou na parede, colocou o dedo no meu nariz e, completamente fora de si, começou a gritar. Depois, pegou a filmadora e começou a bater com ela na minha cabeça. Então entrou o filho do dono da boate que, em inglês, começou a acalmá-lo. Ele exigiu a fita e eu dei. Na seqüência, ele a esmagou com uma mão só. Ele estava doido. Pensei que ia me matar. Não foi pior porque o dono da boate chegou", desabafa Mello.

Os outros fotógrafos assistiram a tudo de longe, uma vez que nem adiantava bancar o herói. Como nenhum deles falava inglês, também não adiantava tentar negociar. Encerrada a agressão, Tyson saiu do Bahamas com destino a outra boate, a Love Story, que fica no centro da cidade (veja matéria). Enquanto os fotógrafos seguiam o táxi, Mello foi até o 27º Distrito, no Campo Belo. Depois de registrar a queixa e mostrar um corte na cabeça e um galo na testa, o delegado decidiu mandar 10 viaturas para o Love Story. Exagero? "Não é exagero. O cara é um doido, um animal. Ninguém pode imaginar qual vai ser a reação dele", diz Mello.

Enquanto isso, na Love Story, o repórter Gil Mendes e o fotógrafo Lawrence Bodnar, do Diário de S.Paulo, que no dia anterior flagrara Tyson saindo às 7 da manhã da mesma boate, se misturam aos fãs para conseguir boas imagens. Hoje, entretanto, eles não são os únicos jornalistas no local. "Ontem, uma fonte me contou que ele estava na casa (Love Story) e fui para lá com o Lawrence. Fomos os únicos. O Lawrence se misturou com os fãs e conseguiu as fotos sem o Tyson reclamar", conta Gil Mendes, o repórter notívago do Diário de S.Paulo. De repente, a casa noturna é tomada por policiais. Uma vez armado o barraco, os policias preferiram não algemar Tyson, que pôde ir até a delegacia no carro de um amigo. "Na delegacia, começou a tietagem. Os policiais até tiraram fotos com ele", conta Mello. A farra na delegacia durou até quase 8 da manhã, quando Tyson foi liberado e voltou para o hotel.

Oscar Maroni, o amigo da onça

Um detalhe curioso desta história é o fato de ter sido Oscar Maroni, o polêmico dono da boate Bahamas, o responsável por permitir que os fotógrafos fotografassem Tyson. Maroni, que recentemente virou empresário de lutadores de boxe e está armando uma luta do ex-campeão mundial com um agenciado seu, é o anfitrião e intérprete de Tyson no país.