Caso Pimenta Neves: promotor fala sobre suas expectativas para o julgamento
Caso Pimenta Neves: promotor fala sobre suas expectativas para o julgamento
Atualizado em 24/02/2006 às 12:02, por
Thaís Naldoni e Gabriel Mitani*/Redação Portal IMPRENSA.
Caso Pimenta Neves : promotor fala sobre suas expectativas para o julgamento
PorNo próximo dia 03 de maio, o jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves - ex-diretor de redação do jornal O Estado de S.Paulo - irá a julgamento pelo assassinato de sua ex-namorada, a também jornalista Sandra Gomide. O crime aconteceu na cidade de Ibiúna - a 70 km da capital paulista - por isso, o julgamento ocorrerá na mesma cidade.
IMPRENSA esteve em Ibiúna para conhecer o local onde o Pimenta Neves será julgado. Nossa equipe foi recebida pelo promotor de justiça Carlos Sérgio - responsável pela acusação - que falou sobre os preparativos e as expectativas para o acontecimento. Acompanhe.
IMPRENSA - A expectativa é de que haja muitas pessoas na cobertura do julgamento?
Carlos Sérgio - O assassinato não teve muita repercussão local. Aqui não temos muitos jornais, só alguns periódicos semanais e mensais. Então, a nossa preocupação não é nem a imprensa daqui de Ibiúna, mas a que vem de São Paulo. Além dos familiares, que vão acompanhar o julgamento.
IMPRENSA - Qual é a tese de acusação?
Carlos Sérgio - É de um homicídio duplamente qualificado: pelo motivo torpe (ele a matou simplesmente por ela ter cessado o relacionamento com ele) e pelo recurso de que dificultou a defesa da vítima (ela levou tiros nas costas e quando estava caída no chão, com possibilidade de defesa quase nula).
IMPRENSA - Qual pode ser a pena dele?
Carlos Sérgio - Um crime duplamente qualificado é de 12 a 30 anos.
IMPRENSA - Dizem que o processo está muito demorado. É verdade?
Carlos Sérgio - Realmente ele demorou um pouco mais do que estávamos prevendo. Mas pelo fato de ele estar respondendo ao processo em liberdade faz com que demore um pouco mais, porque os prazos são mais flexíveis e ele tem mais recursos para tentar adiar esse julgamento o máximo possível.
IMPRENSA - Mas qual a demora, normalmente?
Carlos Sérgio - Quando o réu está preso, demora cerca de um ano, um ano e meio. Mas quando ele está solto, geralmente demora três anos e meio, quatro anos. Nessa situação, especificamente, a defesa usou todos os recurso possíveis e conseguiu adiar bastante.
IMPRENSA - O júri popular é formado por quais pessoas?
Carlos Sérgio - Para essa seção, vão comparecer 21 jurados que já foram sorteados. Desses 21, o juiz vai sortear sete. A cada dois meses, acontece um sorteio de jurados, dentro de uma lista anual.
IMPRENSA - O julgamento vai demorar quanto tempo?
Carlos Sérgio - Acredito que uns dois dias. Depende tudo da chamada "Leitura de peças". Porque, às vezes, antes de começar o debate, o interrogatório, todo o procedimento, é feita a escolha de peças que são lidas para os jurados. Se, por um acaso, a acusação ou a defesa resolver exigir a leitura de vários desses casos... demora bastante.
IMPRENSA - O julgamento vai ser aberto ao público?
Carlos Sérgio - Sim. A não ser que o juiz resolva restringir para a imprensa, para não tumultuar. Depende da quantidade de pessoas presentes na hora, depende do juiz. Mas, em teoria, o julgamento será aberto ao público.
IMPRENSA - Há chances de Pimenta Neves ser absolvido?
Carlos Sérgio - No meu modo de ver, não. As provas são bem claras, o réu confessou o crime e isso está tudo documentado. Por isso, eu acredito que não.
*Gabriel Mitani é estagiário da revista IMPRENSA
** Saiba mais sobre o julgamento de Pimenta Neves na edição de março de IMPRENSA






