Caso Marília: jornal suspeita de ex-prefeito

Caso Marília: jornal suspeita de ex-prefeito

Atualizado em 13/09/2005 às 18:09, por Denise Moraes | Redação Portal Imprensa.

Caso Marília: jornal suspeita de ex-prefeito

"Hoje, a empresa acredita que o ex-prefeito é o principal suspeito de ser o mandante dos atentados". A declaração é de Rogério, Martinez, editor-assistente do jornal Diário de Marília , que ganhou as manchetes após sua sede ter sido vítima de um incêndio criminoso no último dia 8.

Falando pelo celular, já que toda a redação está sem telefone, ele contou que desde as campanhas municipais do ano passado o jornal vinha produzindo matérias bastante críticas a respeito do então prefeito, Abelardo Camarinha, e sua gestão.

"Houve várias, como uma denúncia que fizemos sobre a compra de softwares que seriam utilizados para um projeto de educação que não existia, além, é claro da matéria especial "30 anos de politicagem", sobre vários políticos de Marília, ora inimigos, ora aliados", conta.

As denúncias do jornal, no entanto, não impediram que Camarinha conseguisse eleger seu sucessor, o atual prefeito, Mário Bulgareli.

O incêndio destruiu 80% das dependências da CMN (Central Marília de Notícias), que engloba o jornal Diário de Marília , além das rádios Diário FM e Dirceu AM, que chegaram a ficar 24 horas fora do ar. Como grande parte dos computadores foi destruída, até o dia 10 muitos funcionários ainda trabalhavam em casa. Desde ontem a redação tem trabalhado em um prédio alugado pelo dono do jornal, o empresário Carlos Francisco Cardoso. No entanto, sem a instalação de linhas telefônicas, só se comunicam pela Internet .

O ápice dessa desconfiança ocorreu quando foi preso o primeiro suspeito de atear fogo ao prédio. Amaury Campoy trabalhava para Camarinha desde 2001 e continuava trabalhando na gestão do atual prefeito, Mário Bulgareli, até perder o cargo no dia 9, um dia depois do atentado, justamente pela sua participação nele.

Outra questão que levanta mais suspeitas sobre o ex-prefeito é o envolvimento de Bruno Gaudêncio Coércio, de 22 anos, ex-assessor parlamentar do deputado estadual Vinícius Camarinha (filho do ex-prefeito, Abelardo Camarinha), como contratante da quadrilha que executou o incêndio no prédio da CMN. Além de ser ex-assessor de Vinícius, Bruno é também filho do comerciante Carlos Coércio, conhecido como Guru, ex-sócio de Camarinha, vice-presidente da Emdurb na gestão do ex-prefeito e um de seus amigos pessoais.

Em seu site (www.diariodemarilia.com.br) o jornal colocou uma enquete perguntando qual teria sido a razão do incêndio sofrido. Entre os motivos "assalto", "pessoal", "vandalismo" e "político", este último vem liderando com mais de 90% dos votos.

Martinez afirma que a CMN ainda não conseguiu fazer um levantamento de tudo o que se perdeu com o incêndio, mas acredita que o incidente acabou unindo a equipe do jornal. "Mesmo com esse problema, o jornal circulou todos os dias. Menor, com colunas faltando, mas circulou. Isso acabou estimulando os funcionários. Eles estão no maior envolvimento, querendo apurar o crime, achar o responsável e pôr o jornal para circular de novo", afirma.

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