Carlos Lindenberg: "A crônica política pode não ter a nobreza da história, mas ela é essencial"

Carlos Lindenberg: "A crônica política pode não ter a nobreza da história, mas ela é essencial"

Atualizado em 17/04/2007 às 12:04, por Rodrigo Manzano e Thaís Naldoni/Redação Portal IMPRENSA.

Carlos Lindenberg : "A crônica política pode não ter a nobreza da história, mas ela é essencial"

Por Foto: Divulgação

Há quarenta anos, quando começava sua carreira de jornalista no Jornal de Montes Claros , sua cidade natal, Carlos Lindenberg sequer poderia imaginar que seria considerado um dos nomes de maior referência no jornalismo mineiro. Foi repórter, editor, chefe de sucursal, assessor de governador e hoje é diretor de Redação do jornal Hoje em Dia , um dos mais expressivos de Minas Gerais.

É neste jornal em que ele, observando a movimentação política de Minas - e do Brasil - mantém uma coluna que leva seu nome, na qual, em formato de crônicas, analisa os acontecimentos atuais para deleite dos leitores, entre eles, políticos, empresários e lideranças da sociedade civil. "Quando comecei, ali pelos anos 90, final da década de 80, o que havia aqui eram as colunas, a maioria destinada a elogiar as figuras mais expressivas e a criticar os que não eram tão amigos assim dos jornais. Fui o primeiro a dar o meu nome a uma coluna de comentários, à crônica propriamente - e com direito, coisa inusitada por aqui - a retrato a bico de pena. Depois, aberta a picada, vieram outros. Uns de passagens, outros permaneceram. Mas se não sou o resistente sou o pioneiro. E confesso que no princípio não foi fácil. O distinto público estranhou a ousadia, ficou meio incrédulo, mas depois gostou. Eu também...", conta ao Portal IMPRENSA.

Da ousadia, nasceu o livro "Quase História", publicado pela editora Armazém de Idéias, e lançado no último dia 09/04, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Na obra, o jornalista compila, em 600 páginas, as crônicas escritas entre 1987 e 2007.

A popularidade de Lindenberg - e de seus textos - pôde ser comprovada com a presença, na noite de autógrafos, do governador Aécio Neves; do vice-governador Antônio Augusto Anastasia; ex-governador Francelino Pereira, ex-senadores Murilo Badaró e Arlindo Porto e do ex-presidente Itamar Franco, entre outros. Na ocasião, cerca de 300 exemplares foram vendidos. "Eu não esperava esses números. Fiquei muito surpreso", disse.

Ao Portal IMPRENSA, Linderberg comenta, com exclusividade, a importância das crônicas políticas e seu papel na imprensa atual. Para ele, este é um nicho que não deve ser abandonado. "A crônica política pode não ter a nobreza da história, mas ela é essencial para que se possa compreender aquilo que está além das notícias dos jornais ou das notas invariavelmente curtas do rádio e da televisão", disse.

No entanto, o jornalista reconhece que, atualmente, a boa crônica política tem sido, via de regra, substituído pelo jornalismo opinativo. "Há uma tendência hoje de a crônica política ser substituída pela opinião do cronista. Opina-se mais do que se comenta. Há colegas nossos que fazem verdadeiros editorais em suas crônicas. Não sei porque isso, não sei mesmo. Mas é lamentável. E preocupante. Talvez seja a necessidade da notoriedade", analisa.

Outro ponto preocupante para Lindeberg é o fato de que as crônicas políticas estão todas muito similares, têm os mesmos pensamentos, sem inovações. "Uma coisa perigosa é o pensamento único. Dificilmente você encontra análises diferentes ao se ler os jornais. Quase todas as crônicas vão na mesma direção, ninguém busca um ângulo diferente, quem sabe uma informação privilegiada capaz de tornar a crônica mais pluralista, de acordo, aliás, com o caráter pluralista da sociedade. Nesse sentido, as últimas eleições presidenciais foram terríveis para esse tipo de cronismo e de jornalismo praticados no país", finaliza.