Carlos Heitor Cony: "O jornalismo dito investigativo investiga muito, geralmente o que já está ou foi investigado"

Carlos Heitor Cony: "O jornalismo dito investigativo investiga muito, geralmente o que já está ou foi investigado"

Atualizado em 09/01/2006 às 12:01, por Denise Moraes | Redação Portal Imprensa.

Carlos Heitor Cony: "O jornalismo dito investigativo investiga muito, geralmente o que já está ou foi investigado"

Em sua coluna de hoje na Folha de S.Paulo , Carlos Heitor Cony analisou a cobertura dada pela mídia às férias do presidente Lula.

"Fomos informados de que o presidente da República, de calção vermelho, pança respeitável à mostra, descansa uns dias em praia reservada, no uso de um direito que a Constituição e o bom senso aprovam", diz, irônico, no início do texto.

Cony mostra a dualidade da função da imprensa: informar bem a sociedade, ainda que sobre assuntos irrelevantes do ponto do interesse público, mas curiosos no que concerne ao interesse do público.

"Informar a sociedade é mais do que um direito: é um dever dos meios de comunicação. E em nome desse direito e dever tudo é permitido, por mais desnecessária ou óbvia que seja a informação", diz.

O colunista comenta que as informações que realmente importam, nunca chegam à sociedade. Para reforçar seu ponto de vista, dá um exemplo banal: não se sabe até hoje onde estão os ossos de Dana de Teffé - o assassinato da socialite Dana de Teffé , na década de 50, agitou a imprensa brasileira e é uma obsessão particular de Cony. À época, suspeitava-se que Leopoldo Heitor, advogado de Dana, fosse o assassino. No entanto, como o corpo da vítima jamais foi encontrado, não foi configurada a existência de um crime. Leopoldo Heitor herdou toda a fortuna de Dana e nunca foi acusado pelo seu assassinato.