Cale a boca, jornalista: por lei ou por tapa, jornalistas são intimidados pelo governo de Uganda
Cale a boca, jornalista: por lei ou por tapa, jornalistas são intimidados pelo governo de Uganda
Atualizado em 03/01/2006 às 12:01, por
Denise Moraes | Redação Portal Imprensa.
Cale a boca, jornalista: por lei ou por tapa, jornalistas são intimidados pelo governo de Uganda
Segundo a Repórteres Sem Fronteiras , o governo do Uganda tem coagido e intimidado alguns órgãos de comunicação social, visando influenciar a cobertura da campanha para as eleições presidenciais que ocorrerão em 23 de fevereiro.As ações legais têm sido a forma de atuação favorita do governo do presidente Yoweri Museveni no combate aos jornalistas mais críticos.
O episódio mais recente ocorreu em 13 de dezembro, quando foram detidos James Tumusiime e Semujju Ibrahim Nganda, ambos do Weekly Observer , acusados de incitar ao sectarismo, o que pode condená-los a cinco anos de prisão.
Andrew Mwenda, jornalista do Daily Monitor , também pode receber pena semelhante. Ele apresentou um talk-show radiofônico sobre a morte do vice-presidente sudanês John Garang num desastre de helicóptero, situação que até levou as autoridades a encerrarem a emissora.
O governo também proibiu, em 23 de novembro, que todas as estações de rádio emitissem quaisquer debates ou programas sobre o julgamento de Kizza Besigye, líder da oposição que estava exilado e foi preso assim que chegou ao país. A alegação do governo para a proibição foi garantir "o direito a um julgamento justo".
Já Lawrence Nsereko, funcionário do Daily Monitor , sofreu agressão física por parte de dois membros do partido do governo que não gostaram que ele removesse um cartaz de Museveni que havia sido colado numa banca onde o jornal coloca publicidade.
A RSF também denunciou a interferência do governo na comunicação social, uma vez que nomeou o brigadeiro Noble Mayombo, ex-chefe da secreta militar, para presidente do conselho de administração do New Vision (o diário mais vendido do Uganda), além de ter reforçado o seu domínio sobre o semanário tablóide The Red Pepper - que é muitas vezes usado para atacar a oposição -, ao fornecer-lhe um financiamento de 270 milhões de xelins (125 mil euros).






