Caça-níqueis: Globo demite jornalista envolvido com a máfia
Caça-níqueis: Globo demite jornalista envolvido com a máfia
Caça-níqueis : Globo demite jornalista envolvido com a máfia
A TV Globo demitiu oficialmente ontem (18/12) o jornalista José Messias Xavier, acusado pelo Ministério Público de receber pagamentos de uma organização criminosa carioca em troca de informações privilegiadas da Polícia.Messias atuava, desde o ano passado, como produtor dos telejornais da casa. "A TV Globo não tem dúvida de que somente a Justiça poderá concluir se o jornalista José Messias Xavier é culpado ou inocente dos crimes de que é acusado, depois de uma investigação consistente", leu o apresentador do "RJTV" Hélter Duarte. "Porém, diante do conteúdo das gravações telefônicas, está claro, para a TV Globo, que o comportamento do jornalista foi incompatível com as normas éticas da emissora".
A voz do jornalista foi identificada em ligações telefônicas interceptadas pelo MP durante a Operação Gladiador, que investiga uma máfia de exploração de jogos caça-níqueis e contrabando de máquinas.
Nas conversas, ele informa alguns bandidos e advogados sobre movimentações da Polícia e ouve que vai receber "presentinhos" e "dinheirinhos".
O MP não tem dúvidas de que Messias fazia parte de uma das quadrilhas que atua na máfia no Rio de Janeiro e mantinha movimentações "contínuas, estáveis e reiteradas" com os bandidos.
Desde o final de semana, quando foi alvo das acusações, Messias tinha recebido licença da emissora para cuidar de sua defesa; de acordo com a Globo, ele trabalhava justamente na produção de matérias sobre a máfia e a operação do MP, que chegou a pedir sua prisão preventiva - negada pela Polícia.
O produtor refutou todas as acusações e informou, antes de ser demitido, em nota divulgada pela própria Globo, que sua intenção era infiltrar-se na quadrilha para entrevistar o todo-poderoso Fernando Iggnácio e, posteriormente, escrever um livro sobre a guerra entre as máfias de caça-níqueis no Rio de Janeiro.
Os "presentinhos", segundo ele, seriam documentos, não dinheiro. O jornalista prometeu abrir seus sigilos bancário e fiscal para provar sua inocência; ele é acusado de receber R$ 1.000 mensais da quadrilha.
A Folha de S. Paulo , para quem Messias escreveu algumas matérias entre junho e outubro de 2005 - duas delas envolvendo a quadrilha, inclusive -, informou que vai fazer um levantamento de sua produção e "tornará públicas correções que se mostrem necessárias".
Além da Folha e da Globo, Messias trabalhou nos jornais Extra e A Notícia , ambos do RJ. 





