Atualidade: A violência toma conta das cidades, por Daniel Ferreira

Atualidade: A violência toma conta das cidades, por Daniel Ferreira

Atualizado em 14/02/2007 às 13:02, por Daniel Ferreira e  estudante de jornalismo da Unibahia.

Atualidade : A violência toma conta das cidades, por Daniel Ferreira

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Voltou à pauta nacional a redução da maioridade penal - de 18 para 16 anos.

A violência no Brasil não é algo novo. Sempre existiu. O problema, agora, é que atinge a classe média. Desta feita, ganha os holofotes da imprensa nacional. E comove a opinião pública.

A tragédia dessa vez foi à morte brutal do garoto João Hélio Fernandes Vieites, de 6 anos, no Rio de Janeiro, após ser arrastado pelo carro - modelo corsa sedan roubado de sua mãe - por sete quilômetros.

A redução da maioridade penal, certamente, não resolverá os problemas do Brasil. A violência urbana, no nosso país, já não é caso de polícia. É um problema social. Enquanto ele não for resolvido, solucionado, tudo continuará do mesmo jeito que tem sido. Infelizmente. Como, aliás, vem ocorrendo há décadas. Agravando-se, aliás, cada vez mais.

A violência não está mais restrita a favelas, ganhou também o asfalto, a classe média.

Os problemas são inúmeros, e todos, em menor ou maior grau, têm sua parcela de culpa.

No domingo, dia 18 do mês de fevereiro, quatro pessoas foram assassinadas no bairro de São Cristóvão, na capital baiana. São Cristóvão é um Bairro de classes C, D e E. A maioria das pessoas que ali residem, são pobres. Porém trabalhadoras.

Os assassinatos - pressupõe-se - podem estar relacionados ao tráfico de drogas. Disputas por bocas de fumo. Ou mesmo a algum débito ou rixa entre alguns deles.

A polícia sumiu. Está deixando eles, os "traficantes", se matarem, por meios de confrontos.

Em Itinga e Portão, na cidade de Lauro de Freitas, Região Metropolitana de Salvador, a situação não é muito diferente. De dezembro para cá, é um tal de salve-se quem puder. São garotos, com 15, 16 ou mesmo 24 anos sendo castigados pelas drogas e, em conseqüência, pela violência que essa resulta no fim. É triste, mas tem sido a sina de muitos dos jovens brasileiros que por um motivo ou por outro tiveram, ou mesmo estão tendo, esse lamentável destino em suas vidas.

A polícia, quero dizer alguns policiais são corruptos. Quando não rola a grana, eles matam, ou deixam que os próprios "bandidos", "delinqüentes", "marginais", "trombadinhas" se autodestruam.

No domingo, dia 18 do referido mês de fevereiro, em São Cristóvão - surpreso - fiquei sabendo dos quatro assassinatos. Isto somente num bairro e num único dia. No Brasil morre-se mais, na guerra urbana, do que na guerra do Iraque. Isso não está na imprensa. Não saiu nos jornais.

A redução da maioridade penal somente agravará um problema há muito anunciado.

As penitenciárias e detenções de norte a sul do Brasil, em estado cada vez mais lastimável, não têm as mínimas condições de absorver e ressocializar esses jovens. Aliás, nenhum deles que ali entram para pagar pelos crimes e desvios sociais cometidos em vida. Entram como ladrão de galinha, e sai assaltantes de banco. Uma escola, quiçá uma universidade tem sido os presídios brasileiros.

Para tentar dar uma resposta rápida à sociedade - como estão acostumados a fazer - alguns políticos buscam paliativos, mas não vão à raiz do problema. Porém, a maioria dos nossos representantes, seja no legislativo, no executivo ou mesmo no judiciário estão mesmo preocupados é com seus salários. O tal do reajuste. Em que país eles pensam viver, habitar?