Artigo: Somos escravos de idéias... estrangeiras!, por Bruno Lara de Castro Manso
Artigo: Somos escravos de idéias... estrangeiras!, por Bruno Lara de Castro Manso
Atualizado em 13/04/2007 às 14:04, por
Bruno, 23 e é estudante de jornalismo da Universidade Estácio de Sá (RJ).
Artigo: Somos escravos de idéias... estrangeiras! , por Bruno Lara de Castro Manso
Há alguns meses, publiquei nesse espaço um artigo intitulado "Perdão Por Ser Brasileiro", criticando não apenas os "patrícios" da pirâmide social brasileira, mas também nós, mortais. Contudo, dessa vez, discorro sobre uma outra face do nosso pais (não muito analisada). Seria injusto classificar o Brasil tomando como referência apenas pessoas que faltem com o caráter. Julgar o país pelos pais que vendem os filhos para o mercado da prostituição infantil ou ainda pela violência nas metrópoles, seria um grave equívoco.O Brasil não é constituído apenas por guerras entre facções, desestruturação familiar, intolerância... o Brasil é formado também por "Josés", que pouco estudaram, não conquistam ascensão social (para que?), mas não vendem a dignidade. O Brasil também é formado pela beleza de Alagoas, onde há belíssimas praias, e Minas Gerais, onde a falta de praia constrói a pureza do lugar. O Brasil é formado por figuras conhecidas e nobres, como Tom Jobim e Carlos Drummond de Andrade, mas esquecer os artistas regionais, "anônimos", seria uma ingratidão. Irreparável.
Na atual era de intensa troca de informações entre as mais diversas regiões, as culturas menos influenciáveis vivem o "salve-se quem puder". Ideologias e estilos de vida como o norte-americano e o europeu ameaçam contaminar cada vez mais países como o Brasil, onde as características locais sofrem desprezo pelos próprios cidadãos. Quem também está para ditar as regras são os chineses, embora alguns apostem na histórica introspecção dos orientais.
Transitar pelos modelos norte-americano e/ou europeu não é pecado. Pecado seria não prestigiar o Brasil pouco observado, o Brasil para o brasileiro, não para o estrangeiro. Pecado é reprimir sotaques de estados pouco estratégicos, como Piauí. Entendo que mais do que nunca precisamos valorizar a arte, a terra, a cultura, os cidadãos brasileiros, de modo a evitar que tamanha riqueza seja esquecida no tempo.
À medida que filmes como Velozes e Furiosos comemoram o sucesso no Brasil, precisamos refletir ainda mais sobre o caminho que escolhemos percorrer, pois é uma prova de que nos entregamos à espetacularização e ao consumismo fútil (ditado pelo Tio Sam). O Brasil só conquistará a alto-estima após valorizar a sua própria matéria-prima, livrando-se de idéias estrangeiras.
*Contato: bruno.lara@yahoo.com.br 





