Artigo: Ser criança: uma profissão de risco, por Selma Tronco
Artigo: Ser criança: uma profissão de risco, por Selma Tronco
Atualizado em 12/04/2007 às 15:04, por
Selma é estudante de jornalismo do 3º ano da Universidade FIAM FAAM.
Artigo: Ser criança: uma profissão de risco, por Selma Tronco
Dói. É algo desolador e chocante a situação em que milhares de crianças vivem ao redor do mundo. Só no Brasil, 16 crianças e adolescentes são assassinados por dia. As organizações internacionais classificam esse dado como "genocídio". As causas são muitas, os responsáveis inúmeros e as soluções apresentadas quase nulas.Quando se trata de mortandade infantil, palavras como violência e fome são apenas elementos de um conjunto que podemos denominar de "péssimas condições de vida". As razões que culminam para esse absurdo número diário de mortes existem e não são poucas, mas é difícil tomarmos providências e até identificar os vilões da história. Seriam as famílias que têm inúmeros filhos ou nossas crianças que, devido à mídia, estão agindo de forma errada? Conclusões estapafúrdias como essas, acreditem, existem! O primeiro argumento é desbancado ao lembrarmos do caso do ônibus 174, no Rio de Janeiro. O seqüestrador Sandro do Nascimento era filho único. Já colocar a culpa na mídia nesse caso é algo completamente infantil - com o perdão da analogia.
É mais fácil culpar diversas instâncias paralelas ao Estado do que colocar o dedo na cara de uma figura abstrata. Afina, o Estado e seus poderes estão aí eleitos por nós, portanto também temos uma parcela de culpa. Por outro lado, eles recebem para, entre outras coisas, prover saúde, educação, moradia e cultura para todos os brasileiros, desde pimpolhos até se tornarem simpáticos velhinhos.
Ninguém mais contesta o paradoxo em que vivemos: um país em que pode se plantar quase de tudo em várias regiões e crianças morrendo de fome. Outro ponto mais alarmante: obesidade infantil nos centros urbanos X a magreza nos locais mais longínquos do território. Em 1994 a foto vencedora do Prêmio Pulitzer retratava uma criança se arrastando no Sudão com um urubu atrás, à espera de sua morte. Quantas imagens como essa podem ser flagradas no Brasil?
Já em 1992 a LBV lançou a campanha "Gente também é bicho. Preserve a criança brasileira". Salvar a fauna do Brasil é importante, mas nossas crianças, tão aclamadas como "futuro da nação", também merecem atenção igual ou em maior número. Elas também precisam de carinho e cuidados especiais para se desenvolverem e alçarem vôos bem sucedidos.
Enquanto os governantes e a população se manterem inertes e insensíveis quanto aos problemas que afligem os brasileiros nada vai mudar. Cada um pode contribuir de alguma forma, desde divulgar essa situação e debatê-la em uma roda de amigos, até ser voluntário ou ajudar financeiramente alguma instituição de menores. Esse quadro tem que mudar para o Brasil não ficar mais no topo de rankings que sempre começam com a palavra "pior".
Contato: selrizz@uol.com.br 





