Artigo: São Paulo preserva construções antigas e patrimônios históricos, por Denise Lanzoni
Artigo: São Paulo preserva construções antigas e patrimônios históricos, por Denise Lanzoni
Artigo: São Paulo preserva construções antigas e patrimônios históricos , por Denise Lanzoni
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Pontos turísticos da cidade, como Avenida Paulista, Faria Lima e São João, resgatam história cultural com a preservação de casarões construídos no século 19. Já outros, como é o caso do "Castelinho", foram abandonados e escondem histórias policiais nunca desvendadas.
Casas arrojadas, construções modernas e contemporâneas são os modelos notáveis nas ruas da cidade de São Paulo. É raro ver um imóvel antigo de arquitetura colonial ou neoclássica, mas no século 19 a paisagem urbana era esta. Neste mesmo período, na Avenida Paulista, o engenheiro uruguaio Joaquim Eugênio de Lima iniciou o loteamento que definiu seu traçado. Em pouco tempo, luxuosas residências foram implantadas em extensas áreas, refletindo o desenvolvimento da aristocracia cafeeira.
Apesar da escassez desses imóveis atualmente, parte considerável ainda está presente no cenário. Para sua conservação e preservação são tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico, o Condephaat. Sua finalidade é proteger, valorizar e divulgar o patrimônio cultural no Estado de São Paulo.
Ao tombar um bem, o Condephaat segue alguns critérios. A historiógrafa e coordenadora do Grupo de Trabalho de Identificação do patrimônio do Condephaat, Marly Rodrigues, explica que o tombamento é um ato jurídico que representa o reconhecimento do valor cultural de um bem pelo poder público. "Significa, portanto, atribuir um valor simbólico a esse bem e, possivelmente alterar o valor que lhe é dado pela própria sociedade", acrescenta.
Quando existe algum herdeiro destes patrimônios, o tombamento não impede a sua perda. A casa continua em sua posse. O proprietário pode vender ou trocar, mas nunca descaracterizar o bem. Marly explica ainda que "não é possível construir um andar a mais de uma casa tombada ou derrubá-la para aproveitar o terreno e construir outra no lugar".
Mesmo com a intervenção do Condephaat para seu tombamento, muitas dessas construções já foram demolidas para virar estacionamento ou edifícios comerciais. Na Avenida Paulista existem dois bens que foram tombados pelo Conselho. Um deles é o imóvel conhecido como "Casarão 1919" situado bem próximo ao metrô Consolação.
Foi construído em 1905, no auge da aristocracia cafeeira, e uma das primeiras residências a serem implementadas na Avenida. Seu primeiro proprietário foi René de Castro Thiollier, que utilizava a casa apenas nas férias e nos períodos em que resolvia deixar a agitação da Rua XV de Novembro, no centro de São Paulo, onde vivia.
Em 1982 o imóvel foi tombado pelo Condephaat e hoje a idéia para a casa é passar por uma restauração e transformá-la em um espaço cultural, apoiada pela prefeitura do Estado de São Paulo. Enquanto isso não acontece, o lugar é porta de entrada para feiras e eventos.
Outro bem tombado na Paulista é a Casas das Rosas. Na década de 30, foi à antiga residência de Ernesto Dias de Castro, genro do engenheiro e arquiteto Ramos de Azevedo. Atualmente é um museu da Secretaria de Estado da Cultura. Reaberto ao público em 9 de dezembro de 2004 depois de uma restauração, tem como objetivo abrigar um pólo de poesia e literatura, sua biblioteca possui 35 mil volumes.
Saindo dos arredores da Paulista e indo para a Avenida Faria Lima, está a mansão construída na década 40, a antiga residência do casal Fábio Prado e Renata Crespi e atual Museu da Casa Brasileira. Prado foi prefeito de São Paulo de 1934 a 1938 e suas realizações permanecem vivas até hoje na vida dos paulistanos. Em sua gestão foram iniciadas obras nas avenidas 9 de Julho, Rebouças e Anhangabaú, Viaduto do Chá e Estádio Municipal do Pacaembu. Em 1914 casou-se com Renata Crespi, filha do industrial italiano Conde Rodolfo Crespi e Marina Regoli Crespi.
Ao deixar o cargo de prefeito em abril de 1938, Prado e sua esposa passaram a atuar em obras assistenciais e de estímulo à produção cultural. Após a morte de seu marido em 1963, Renata criou a Fundação Crespi- Prado já em 1975. Essa atitude foi em prol do incentivo à arte e cultura, dando continuidade ao trabalho que ela e Prado realizaram durante toda vida.
Infelizmente, nem todas as construções que no passado fizeram a história de São Paulo são cuidadas como merecem. É o caso do conhecido "Castelinho da rua Apa" na Avenida São João. Encontra-se totalmente abandonado, semi-arruinado, cheio de entulho e sujeira no térreo. O telhado e o piso do primeiro andar não existem mais. Apesar dessa precariedade, o "Castelinho" é ocupado pela ONG de atividades de inclusão social, Clube de Mães do Brasil.
Desde seu abandono, em 1937, o "Castelinho" permaneceu sem nenhuma posse. Os vizinhos lutam para que a prefeitura de São Paulo faça sua restauração e estão com um abaixo assinado para conseguirem apoio. A respeito de tombar o bem, o Condephaat responde que no momento não há perspectiva.
A História do Castelinho
No passado, a casa pertencia a Maria Cândida Reis e seus filhos, Armando e Álvaro. Era uma família conceituada na época, conhecidos por sua fortuna. Mas, algo sinistro e misterioso aconteceu na casa no dia 13 de maio de 1937. Os corpos dos três foram encontrados mortos no interior da casa. Muito se falou sobre o caso, foi até manchete nos jornais da época: "Quem matou a família Guimarães dos Reis"?
O que se sabia, era que Álvaro - um dos irmãos - pretendia transformar o Cine Broadway, propriedade da família, em um espaço de patinação. Porém, seu irmão, o advogado Armando, era contra. As investigações da polícia atribuem o assassinato a isso. Teria havido uma discussão entre os irmãos, e um deles sacou uma arma e disparou contra o outro. Dona Maria Cândida ao ver a briga, tentou apartá-la, mas também foi atingida. O atirador, desesperado, resolveu dar fim à própria vida. Até hoje, a polícia nunca descobriu quem foi o assassino e a população por sua vez, não acreditou na história dos policiais.
Contato: denise@viveiros.com.br 





